O dado que desmonta a crítica ao agro sobre a China
O elevado volume de vendas para a China não deve ser interpretado como fragilidade
O elevado volume de vendas para a China não deve ser interpretado como sinal de fragilidade - Foto: Foto: Portos RS
A forte concentração das exportações de soja no mercado chinês tem sido alvo frequente de debates sobre a dependência do agronegócio brasileiro em relação ao país asiático. Segundo levantamento apresentado por Antonio Cabrera, presidente do Grupo Cabrera, com base em dados compilados a partir de bases de comércio internacional e estimativas setoriais de 2024, essa característica não é exclusiva do Brasil e reflete o peso da China no mercado global da oleaginosa.
Os números mostram que a Argentina destina 94% de suas exportações de soja para a China. A Rússia envia cerca de 85%, enquanto o Uruguai direciona aproximadamente 80%. O Brasil aparece com cerca de 76% da soja exportada tendo o mercado chinês como destino. Entre os principais produtores, os Estados Unidos também mantêm forte presença no país asiático, com cerca de 51% de suas exportações voltadas para a China.
De acordo com a análise apresentada por Cabrera, o elevado volume de vendas para a China não deve ser interpretado como sinal de fragilidade ou falta de estratégia comercial. O cenário é consequência do fato de a China ser, de longe, o maior comprador mundial de soja, atraindo os principais países exportadores.
O presidente do Grupo Cabrera ressalta que o risco de concentração existe e deve ser administrado por meio da diversificação de mercados, do fortalecimento da diplomacia comercial e da agregação de valor às exportações. No entanto, transformar a presença brasileira no mercado chinês em motivo de crítica desconsidera a dinâmica do comércio internacional. Segundo a avaliação, o desafio não está em vender para o maior comprador do mundo, mas em preservar esse mercado enquanto se ampliam novas oportunidades de destino para a soja brasileira.