O elo oculto que mantém agroquímicos ligados à China
Integração com a Índia está no radar do mercado
Integração com a Índia está no radar do mercado - Foto: inpEV
A diversificação de fornecedores ganhou espaço no mercado global de agroquímicos, mas a estrutura produtiva ainda revela forte concentração em etapas estratégicas. Segundo Rafael Gomes, gestor de portfólio agroquímico, cerca de 50% dos ingredientes ativos técnicos utilizados pela indústria indiana ainda dependem de importações provenientes da China.
O dado dimensiona a relação entre os dois países em um setor no qual a Índia já ocupa posição relevante entre os maiores exportadores mundiais. O país consolidou-se como fornecedor de moléculas como 2,4-D, Atrazina e Mancozebe, além de inseticidas amplamente empregados na agricultura, entre eles Clorpirifós, Cipermetrina e Lambda-cialotrina.
Ao mesmo tempo, a dependência de insumos chineses mostra que a competitividade não está ligada apenas ao volume exportado. Em várias moléculas, os principais fabricantes chineses atuam em diferentes fases da operação, desde matérias-primas e intermediários até a síntese do ingrediente ativo técnico, a formulação e a exportação.
Essa integração cria vantagens difíceis de reproduzir e amplia a influência sobre custos, disponibilidade e competitividade. A cadeia do glifosato exemplifica essa dinâmica, com grupos chineses presentes em múltiplas etapas, dos intermediários químicos ao produto formulado.
Nesse contexto, o debate deixa de ser apenas uma comparação entre China e Índia e passa a se concentrar no controle das fases críticas da cadeia de fornecimento. Mesmo com o avanço da estratégia “China + 1”, adotada por compradores globais para ampliar alternativas, parte significativa da indústria mundial segue direta ou indiretamente ligada à capacidade produtiva chinesa. O ponto central está em identificar quais ingredientes ativos mantêm maior dependência estratégica dessa estrutura.