O erro que ameaça propriedades familiares
A análise também chama atenção para desperdícios que vão além do dinheiro
A análise também chama atenção para desperdícios que vão além do dinheiro - Foto: Pixabay
A gestão rural passou a ocupar papel central na sustentabilidade dos negócios do agronegócio, em um ambiente de margens pressionadas, maior concorrência e necessidade de decisões mais técnicas. A tradição no campo segue como base importante, mas já não é suficiente para garantir a continuidade das propriedades quando faltam planejamento, controle de custos e processos claros de sucessão.
Segundo Ana Rita Scozzafave, médica-veterinária, consultora em gestão estratégica para o agronegócio e CEO do Grupo SCZ Agro & Agrointeligência, a profissionalização deixou de ser uma escolha e passou a ser condição para manter competitividade, conforme material publicado pela TF Agroeconômica.
Na prática, isso significa conhecer o custo real de cada hectare, litro de leite ou arroba produzida, além de acompanhar produtividade, margem e eficiência operacional. Em atividades como a pecuária leiteira, a volatilidade de preços e as margens menores têm levado propriedades tradicionais a buscar alternativas, como a produção de queijos artesanais e a agregação de valor à matéria-prima. Na pecuária de corte, o avanço depende menos da expansão de área e mais da intensificação produtiva, com investimentos em genética, nutrição e manejo.
A análise também chama atenção para desperdícios que vão além do dinheiro. Falhas na coleta, armazenamento ou transporte de amostras de solo podem comprometer diagnósticos e levar ao uso inadequado de insumos. Para Ana Rita, a transformação começa pela disciplina na gestão, com registros constantes, interpretação dos dados, capacitação da equipe e revisão permanente dos processos. A tecnologia, hoje mais acessível, permite decisões estratégicas inclusive pelo celular.
“A ideia foi mostrar como concretizar essa mudança crucial, substituindo a administração por instinto pela administração estratégica, com controle de custos, conexão com o mercado para agregar valor, diversificação de canais e acesso a mercados diferenciados, que pagam mais por qualidade e rastreabilidade. Hoje, a tecnologia é acessível e permite muitas decisões a partir do celular”, conclui.