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O número que muda tudo no Plano Safra

As taxas de juros diminuíram em parte das linhas


As taxas de juros diminuíram em parte das linhas As taxas de juros diminuíram em parte das linhas - Foto: Pixabay

O Plano Safra 2026/2027 chega com volume nominal maior, mas a análise aponta perda de força em pontos considerados essenciais para o financiamento rural. As informações são de Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, em análise da Prado Agronegócios. Segundo o levantamento, o plano foi anunciado em R$ 525,1 bilhões, alta de 1,7% frente aos R$ 516,2 bilhões da safra 2025/2026, mas o crescimento não acompanha inflação, custo de produção, maior demanda por capital de giro e expansão do agro.

A avaliação indica que, em termos reais, o poder de financiamento ficou praticamente estagnado. Ao mesmo tempo, o governo deverá gastar mais para subsidiar menos crédito. A equalização do Tesouro na agricultura empresarial passou de R$ 3,94 bilhões para R$ 5,56 bilhões, alta de 41%, enquanto os recursos efetivamente equalizados recuaram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, queda de 14,8%.

As taxas de juros diminuíram em parte das linhas, mas continuam em patamar elevado. Grande parte segue entre 11,5% e 12,5% ao ano, e a promessa de juros abaixo de 10% não se concretizou de forma predominante. Programas tradicionais também perderam recursos, com reduções em linhas ligadas a produtividade, armazenagem, inovação, irrigação e mecanização. Entre as maiores quedas aparecem Moderfrota, Proirriga, Inovagro, PCA, RenovAgro e Prodecoop.

A análise aponta que o crescimento do investimento total ocorreu principalmente pela criação de novos programas, como Move Agricultura, com R$ 10 bilhões, e EcoInvest Brasil, com R$ 28,5 bilhões. Sem eles, os investimentos tradicionais teriam recuado de forma significativa. O material também alerta que volume anunciado não significa crédito liberado, diante de exigências bancárias, critérios rígidos e risco de recursos não serem utilizados.

Outro ponto destacado é a perda de prioridade para irrigação e armazenagem, apesar de riscos climáticos e déficit em estruturas de estocagem. O crédito privado deve ganhar espaço, com CPR, LCA, CRA, Figo, mercado de capitais e cooperativas assumindo papel maior. A avaliação prevê benefício maior para grandes produtores, enquanto médios produtores seguem mais dependentes do crédito oficial.
 

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