O que está por trás da alta nos custos no campo
O Brasil ocupa posição central nesse cenário
O Brasil ocupa posição central nesse cenário - Foto: Pixabay
A dinâmica global tem ampliado a influência de fatores geopolíticos sobre a produção agropecuária e as decisões estratégicas no campo. O conteúdo foi publicado no LinkedIn por Lilia Milde, especialista em geopolítica do agro na ILI Mentoring+, ao abordar como movimentos internacionais impactam diretamente o setor.
O Brasil ocupa posição central nesse cenário ao concentrar cerca de 50% de suas exportações no agronegócio, consolidando-se como uma potência de “food power”. Em um contexto em que a segurança alimentar passou a ser tratada como questão estratégica por países como China e nações do Oriente Médio, o país ganha relevância nas relações comerciais globais, especialmente com o avanço do chamado friend-shoring, que prioriza parceiros confiáveis e alinhados.
Ao mesmo tempo, conflitos internacionais ampliam incertezas. A dependência brasileira de fertilizantes é apontada como um dos principais pontos de vulnerabilidade. A Rússia responde por quase 26% das importações desses insumos, e interrupções recentes no fornecimento de nitrato de amônio acenderam alertas no setor, sobretudo diante de uma dependência externa que pode chegar a 96%.
No Oriente Médio, o Irã se mantém como fornecedor relevante de ureia, e as tensões na região elevam o risco de bloqueios logísticos em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. Esse cenário pode pressionar os preços de energia e fertilizantes, com reflexos diretos nos custos de culturas como milho e cana-de-açúcar.
Além dos conflitos, o ambiente regulatório também impõe desafios. A regulamentação europeia que exige comprovação de origem livre de desmatamento após 2020 reforça a necessidade de rastreabilidade. O cumprimento dessas exigências pode se transformar em vantagem competitiva, consolidando o país como fornecedor sustentável.
Diante desse contexto, a análise destaca a importância de investir em inteligência de dados, diversificar fornecedores de insumos e ampliar o monitoramento de riscos globais, especialmente em relação a novas rotas comerciais e movimentos de blocos internacionais.