O que está por trás da disputa sobre o glifosato
Os autores apontam diferenças entre os enfoques científicos
Os autores apontam diferenças entre os enfoques científicos - Foto: Leonardo Gottems
A disputa sobre o glifosato envolve ciência, regulação e possíveis impactos sobre a produção de alimentos. Segundo artigo de Luis Eduardo Pacifici Rangel, ex-secretário de Defesa Agropecuária, ex-coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins e membro do Conselho Científico do Agro Sustentável, Carlos Ramos Venâncio, ex-coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins, e Lothar Langer Júnior, especialista em agronegócio, estratégia empresarial e comunicação técnica aplicada ao setor agropecuário, o debate deve considerar riscos à saúde e consequências agronômicas, ambientais e econômicas.
A controvérsia ganhou força no Brasil após ação do Ministério Público do Trabalho contra a ANVISA e a União, com pedido para retirar do mercado a molécula mais utilizada na agricultura moderna. O estudo destaca que o glifosato integra o Sistema Plantio Direto, associado à redução de operações mecânicas, da erosão e ao aumento da retenção de água no solo.
Os autores apontam diferenças entre os enfoques científicos. Enquanto estudos de saúde analisam carcinogenicidade e mecanismos toxicológicos, pesquisas agronômicas avaliam produtividade, resistência de plantas daninhas, custos e sustentabilidade. O texto também distingue a identificação de perigo, adotada pela IARC, da avaliação de risco utilizada por EPA, EFSA e ANVISA.
A análise defende que decisões regulatórias considerem exposição, alternativas e efeitos não intencionais. Um banimento abrupto pode reduzir um risco potencial, mas ampliar custos, dificuldades de manejo e impactos ambientais e sociais. “O glifosato continuará sendo objeto de controvérsia por muitos anos. Mas, independentemente da posição de cada um, existe uma conclusão que deveria unir todos os lados do debate: decisões com potencial de afetar a produção de alimentos, a renda dos agricultores e o preço da comida precisam ser tomadas com base na melhor evidência disponível, e não apenas na força das narrativas”, conclui.