O que o produtor e o consumidor precisam saber sobre o leite
Paraná produz 2 bilhões de litros de leite e concentra 110 mil produtores
O Paraná produz 2 bilhões de litros e concentra 110 mil produtores. As bacias leiteiras mais significativas são as das regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Estima-se que metade da produção é consumida internamente. O restante vai para exportação. O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite, produzindo cerca de 25 bilhões/ano, com crescimento anual entre 3% e 4%, e passou nos últimos anos de País importador para exportador, com grandes perspectivas de ser um dos mais importantes produtores de produtos lácteos, tanto para consumo interno, quanto para o mercado internacional.
No sentido de melhorar a qualidade ao leite, o governo editou a Instrução Normativa 51, que regulamenta técnicas sobre produção, identidade, qualidade, coleta e transporte. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a IN 51 está em vigor desde julho de 2005. Nas demais localidades, desde julho de 2007.
A segurança alimentar para o leite funciona assim: no laticínio onde o leite é ordenhado, o produto passa pelo controle do técnico responsável pelo setor. a obrigação deste profissional é avaliar se o produto está dentro dos padrões de qualidade e especificações. O produto também passa por uma avaliação do Serviço de Inspeção Federal e Serviço de Inspeção Estadual. O leite da região Sul, segundo a Emater/PR, deve seguir o padrão de proteínas a 3,1%, gorgura 3,2%, celulas somáticas baixas e 750 mil unidades formadoras de colônia de bactérias por ml de leite.
Somente o leite comercializado em embalagens específicas que levam os selos de inspeção, podem ser considerados leites próprios para o consumo. O leite vendido de porta em porta, chamado de clandestino, sem nenhum tratamento térmico, pode provocar doenças por apresentarem grandes taxas de microorganismos.
O leite é isento de microrganismos quando é ordenhado de uma vaca sadia, mas o contato com equipamentos, com o homem e até mesmo com o meio ambiente, pode contaminar o produto. Assim, é preciso submeter o leite a um processo que garanta sua segurança para o consumo. Destes processos, os mais comumente aplicados ao leite de consumo são: a pasteurização,a ultrapasteurização e a esterilização.
Há três tipos principais da bebida, de acordo com a indústria de alimentos. Dependendo do processo utilizado para sua obtenção, podem ser: pasteurizado, UHT (ou em caixa) e o leite em pó.
A pasteurização é o processo utilizado para garantir ao consumidor um leite com baixíssimo risco de contaminação por microorganismos. O leite pasteurizado é aquele submetido ao tratamento térmico que consiste no aquecimento do leite à temperatura de 72 a 75 graus celsius por 15 a 20 segundos, e refrigeração à temperatura entre 2 e 5 grais celsius sendo envasado em seguida. A partir do procedimento utilizado para sua obtenção ainda na fazenda, o leite pasteurizado podem ser de três tipos: A, B e C.
O leite tipo A é ordenhado mecanicamente, pasteurizado e embalado na fazenda. As quantidades de microorganismos são bem pequenas. Já o tipo B que, preferencialmente, também é ordenhado de forma mecânica, é transportado até a indústria para que possa ser pasteurizado e embalado. O leite tipo C, assim como o B, é pasteurizado e embalado na indústria. Por permitir ordenha manual, contêm um número maior de microorganismos. Além disso, enquanto os outros tipos possuem quantidades superiores de gordura, o C tem o padrão mínimo de 3%.
Outro exemplo de leite é o UHT, mais conhecido pela denominação de longa vida e comercializado em caixa. Por conta do processo de ultrapasteurização, sua qualidade, em comparação com a bebida pasteurizada, é bem mais segura. A indústria também já disponibiliza o produto UHT em embalagens plásticas. Ambos modelos são expostos em prateleiras fora da geladeira e devem conter a especificação UHT nos rótulos.
O leite longa vida, algumas vezes, recebe a denominação ‘‘Leite Homogeneizado’’. Tal expressão, quando na embalagem, indica que o leite longa vida passou pelo processo de chamado homogeinização. Através deste processo, a gordura do leite é uniformemente distribuida, evitando a formação da nata e a separação da gordura.
O leite longa vida é inspecionado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura e quem responde pela qualidade do produto é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No leite em pó, a maior parte da água de sua estrutura é elimidada, deixando, no máximo, valores em torno de 5%. O restante dos constituintes são proteínas, lactose, gorduras, sais minerais, entre outros. O leite em pó integral possui, no mínimo, 26% de gordura (peso). O leite em pó desnatado tem valor máximo de 1,5%. Segundo a nutricionista Cyntia, este tipo é mais indicado para levar em viagens para a alimentação de crianças porque evita de estragar devido ao acondicionamento incorreto. ‘‘Nunca deve-se carregar o produto já misturado e até um ano de idade’’, propõe.
O consumo da bebida crua, ou seja sem nenhum processo de tratamento térmico, não pé recomendável. Tomar o ‘‘leite puro da fazenda’’ trás riscos à saúde. Enfermidades transmitidas pelos alimentos, como: tuberculose, brucelose, salmonelose e bacteriose podem ser adquiridas por meio da ingestão desse leite não tratado.
Bebida láctea não deve ser confundida com leite. A primeira é derivada da segunda. A bebida láctea é feita a partir da adição de soro do próprio leite e possui baixos valores nutricionais em comparação ao leite integral.