O risco que ronda a cadeia do tabaco
Sindicatos acompanham o mercado com atenção
Sindicatos acompanham o mercado com atenção - Foto: Pixabay
O debate sobre a comercialização do tabaco envolve concorrência, custos de produção e preservação da competitividade brasileira no mercado internacional. O tema ganhou força com a movimentação de entidades representativas dos produtores junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, responsável por avaliar eventuais aspectos concorrenciais.
O SindiTabaco informou que acompanha o processo com respeito à legislação brasileira e entende que qualquer análise sobre o tema cabe exclusivamente ao CADE. A entidade também recordou que foi alvo de investigação administrativa em 2008, ainda como Sindifumo, processo que foi arquivado em 2013 sem constatação de prática concorrencial imprópria no setor.
Segundo o sindicato, sua atuação segue as orientações concorrenciais do CADE, sem envolvimento em negociações de preços. O foco, conforme o posicionamento, está em pautas institucionais, regulatórias, de sustentabilidade e de competitividade da cadeia produtiva. Eventuais discussões futuras sobre modelos de negociação dependeriam de manifestação formal e análise técnica do órgão.
A entidade também aponta que a Lei de Integração prevê as CADECs como foro para negociação de preços de referência do tabaco, com metodologias aprovadas no Foniagro. No Sistema Integrado de Produção do Tabaco, toda a produção contratada é adquirida pelas empresas integradoras, o que garante previsibilidade ao produtor integrado. Já produtores independentes e empresas fora do sistema ficam mais expostos às oscilações de preços, à demanda internacional e às condições de mercado.
O SindiTabaco afirma que o debate não decorre de falta de valorização do produto. Entre 2016 e 2025, os preços médios das classes TO2 e BO1 do tabaco Virgínia subiram mais de 109%, acima do INPC e do IPCA. A preocupação está no avanço de custos, especialmente da mão de obra familiar usada na metodologia de cálculo, além do aumento da produção em países concorrentes e da queda das exportações brasileiras no início de 2026.