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Oferta limita avanço do açúcar

Etanol influencia vendas de açúcar no Centro-Sul


Foto: Pixabay

O mercado internacional de açúcar segue dividido entre fatores que sustentam os preços e a pressão da oferta no curto prazo, cenário que tem impedido uma valorização mais consistente da commodity. A avaliação é de Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Segundo o especialista, o contrato do açúcar chegou a superar temporariamente a marca de US¢ 15 por libra-peso no início da semana, mas perdeu força até esta sexta-feira. "Após superar temporariamente o patamar de US¢ 15/lb no início da semana, o açúcar devolveu os ganhos até esta sexta-feira. O movimento reflete um mercado dividido entre fatores altistas, como as preocupações climáticas na Ásia e na Europa e a redução das posições vendidas dos fundos, e fundamentos que ainda apontam para uma oferta confortável no curto prazo."

De acordo com Di Bonifacio Filho, a redução das posições vendidas pelos fundos de investimento ajudou a impulsionar as cotações nas últimas semanas, porém em intensidade menor do que a observada em outros momentos do mercado. Para ele, esse comportamento indica que ainda prevalece entre os agentes a percepção de excesso de oferta.

O analista observa que a dificuldade do contrato com vencimento em outubro de 2026 em permanecer acima de US¢ 15 por libra-peso também demonstra a resistência do mercado em sustentar novas altas. "A liquidação das posições vendidas impulsionou os preços nas últimas semanas, mas em intensidade inferior ao histórico, indicando que ainda há uma percepção de sobreoferta."

Outro fator que contribui para esse cenário é a queda dos preços do etanol hidratado, que tem levado usinas da região Centro-Sul a ampliar as fixações de açúcar. "Ao mesmo tempo, a dificuldade de o contrato outubro/26 se manter acima de US¢ 15/lb evidencia a forte pressão vendedora. A desvalorização do etanol hidratado tem incentivado usinas do Centro-Sul a fixarem preços próximos de R$ 1.800 por tonelada, ampliando a liquidez de venda."

Ainda segundo o especialista, o enfraquecimento dos prêmios de exportação no porto de Santos também reduz a expectativa de uma demanda mais intensa pelo açúcar brasileiro. "A queda dos prêmios de exportação em Santos, para níveis inferiores às mínimas dos últimos cinco anos, também enfraquece a expectativa de uma demanda excepcional por açúcar brasileiro."

No horizonte de longo prazo, o clima permanece como o principal fator de atenção para o mercado. Apesar da melhora recente das chuvas na Índia, o analista avalia que ainda existem riscos para a próxima safra diante da possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño.

"Apesar da melhora recente das chuvas na Índia, ainda há riscos para a safra diante das perspectivas de um El Niño mais intenso nos próximos meses. Assim, o mercado continua dividido entre um curto prazo mais pressionado pela oferta e um cenário potencialmente mais altista para 2027, o que deve manter a volatilidade elevada enquanto os participantes avaliam o equilíbrio entre a pressão de venda das usinas brasileiras e a antecipação de uma temporada mais apertada no próximo ciclo."

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