Óleo de arroz ganha valor com aproveitamento de resíduos
Entre as aplicações de maior valor estão a produção de vanilina natural
Entre as aplicações de maior valor estão a produção de vanilina natural - Foto: Divulgação
A valorização de subprodutos do refino do óleo de arroz pode ampliar o aproveitamento industrial da cadeia e abrir espaço para a produção de compostos de maior valor agregado. Segundo Gilmar Pretto, membro do conselho fiscal da Minupar Participações SA, resíduos como a borra de neutralização, também conhecida como soapstock, e os destilados concentram gamma-orizanol, matéria-prima utilizada na obtenção de ácido ferúlico de alta pureza.
No óleo de arroz, o ácido ferúlico está esterificado na forma de gamma-orizanol, que representa entre 1% e 2% do óleo bruto. Depois de isolado, o composto atua como antioxidante fenólico e fotoestabilizador natural. O processo de obtenção começa pela concentração do material presente na borra gerada durante a neutralização do óleo.
Na etapa seguinte, a saponificação ou hidrólise promove a clivagem do orizanol, permitindo separar o ácido ferúlico da fração de fitoesteróis. Depois, a acidificação e a cristalização possibilitam a precipitação e o refino do produto até atingir pureza igual ou superior a 98%.
Entre as aplicações de maior valor estão a produção de vanilina natural por síntese biotecnológica, o uso em dermocosméticos, como séruns antienvelhecimento, clareadores e produtos de fotoproteção, e a fabricação de ferulato de sódio para uso farmacêutico. O processo também permite recuperar fitoesteróis destinados ao mercado nutracêutico.
A proposta transforma resíduos industriais em moléculas finas de maior valor por quilo, elevando a rentabilidade por tonelada beneficiada e reforçando o aproveitamento de matérias-primas dentro de um modelo de economia circular.