Onde o agro mais perdeu trabalhadores?
Agronegócio inicia 2026 com menos trabalhadores
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O emprego no agronegócio brasileiro recuou no primeiro trimestre de 2026, mas a perda de trabalhadores não ocorreu de forma uniforme entre os segmentos. Segundo dados divulgados pelo Cepea, da Esalq/USP, em parceria com a CNA, os agrosserviços concentraram a maior redução, seguidos pelas agroindústrias, enquanto o segmento primário avançou e ajudou a limitar a queda total.
O agronegócio encerrou os três primeiros meses do ano com 27,79 milhões de pessoas ocupadas. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve redução de 1%, equivalente a 267.298 trabalhadores. De acordo com o Cepea, o resultado interrompe uma trajetória marcada por sucessivos recordes de ocupação no setor. A maior perda ocorreu nos agrosserviços. O segmento registrou retração de 2,9% no número de trabalhadores, o que representa uma redução de 307.994 pessoas em relação ao mesmo período do ano passado.
As agroindústrias também tiveram peso importante no resultado. A população ocupada no segmento caiu 3,1%, com 148.527 trabalhadores a menos. Embora a redução percentual tenha sido ligeiramente maior que a observada nos agrosserviços, o impacto absoluto foi menor. O segmento de insumos também fechou o período com queda. A retração foi de 1,2%, equivalente à redução de 3.756 trabalhadores.
Na direção contrária, o segmento primário aumentou sua população ocupada e evitou uma queda ainda mais intensa no total do agronegócio. O número de trabalhadores nessa atividade cresceu 2,5%, com acréscimo de 189.979 pessoas. O movimento do agronegócio acompanhou o enfraquecimento observado no mercado de trabalho brasileiro como um todo. Segundo pesquisadores do Cepea, a taxa de desocupação no País ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026.
Com a redução da ocupação, o agronegócio também perdeu participação no conjunto do mercado de trabalho nacional. Os trabalhadores do setor representaram 25,73% da população ocupada no Brasil no primeiro trimestre deste ano. A participação ficou abaixo dos 26,33% registrados no primeiro trimestre de 2025 e também dos 26,03% observados no último trimestre do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Cepea.
A queda também atingiu diferentes formas de inserção no mercado de trabalho. Entre os empregados sem carteira assinada, a redução foi de 3,6%, equivalente a aproximadamente 147,4 mil pessoas. O número de empregados com carteira assinada caiu 1,2%, com cerca de 115,8 mil trabalhadores a menos. Entre os empregadores, a retração chegou a 5,2%, correspondendo a aproximadamente 55,8 mil pessoas.
Também houve redução entre os trabalhadores familiares auxiliares. O grupo apresentou queda de 5%, com diminuição de aproximadamente 68,5 mil pessoas. Os trabalhadores por conta própria foram a exceção nesse recorte. O contingente cresceu 1,8%, com acréscimo de aproximadamente 120,2 mil pessoas.
Pesquisadores apontam que o avanço do trabalho por conta própria ajudou a compensar parte das perdas verificadas nas demais categorias, mas não foi suficiente para impedir a retração da ocupação total no agronegócio. Os números também mostram mudanças no perfil de escolaridade da força de trabalho. O contingente de trabalhadores sem instrução caiu 1,4%, equivalente a aproximadamente 16 mil pessoas.
Entre aqueles com ensino fundamental, a redução foi de 1,9%, com 191,4 mil trabalhadores a menos. Já o grupo com ensino médio apresentou retração de 1,1%, equivalente a aproximadamente 91,8 mil pessoas. Na direção oposta, aumentou o número de profissionais com ensino superior. Segundo dados divulgados pelo Cepea, esse contingente cresceu 1,6%, com entrada de aproximadamente 72,9 mil trabalhadores.
Mesmo com a redução da população ocupada total, o avanço desse grupo mantém a tendência de aumento da escolaridade média da mão de obra do agronegócio observada nos últimos anos, conforme pesquisadores do Cepea. A retração também foi registrada entre homens e mulheres. O número de homens trabalhando no agronegócio caiu 1,2%, representando aproximadamente 203,4 mil pessoas a menos.
Entre as mulheres, a redução foi de 0,5%, equivalente a cerca de 63,9 mil trabalhadoras. Como a queda foi menos intensa entre elas, a participação feminina na força de trabalho do agronegócio voltou a crescer proporcionalmente.