O futuro da agricultura

ONU: agricultura latino-americana e caribenha precisa ampliar produtividade de forma inclusiva

América do Sul responde por 93% da queda das exportações agrícolas
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O principal desafio para o futuro da agricultura e da vida rural na região é melhorar a produtividade agrícola de maneira sustentável. Além disso, é preciso assegurar que os benefícios econômicos sejam distribuídos de maneira equitativa entre os habitantes dos territórios rurais.

Essa é a conclusão do livro “Perspectivas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural nas Américas”, lançado por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

As principais mudanças na agricultura ocorridas nos últimos anos na América Latina e no Caribe e as perspectivas regionais para 2018 são os principais temas da nova edição do livro “Perspectivas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural nas Américas“.

A publicação foi lançada nessa sexta-feira (27), na Costa Rica, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

De acordo com a nova edição, o principal desafio para o futuro da agricultura e da vida rural na região é melhorar a produtividade agrícola de maneira sustentável. Além disso, é preciso assegurar que os benefícios econômicos sejam distribuídos de maneira equitativa entre os habitantes dos territórios rurais.

“O desenvolvimento agrícola da região tem sido exitoso, mas não tem tido os efeitos sociais necessários. Hoje somos líderes mundiais na agricultura, porém quase metade da população rural vive na pobreza”, disse Luiz Carlos Bedushi, oficial de políticas em desenvolvimento territorial da FAO.

Bedushi explicou, ainda, que a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam um novo marco de ação para que os países implementem políticas dirigidas na proteção do meio ambiente, na inclusão social e no crescimento econômico. “É hora de transformar nossos sistemas alimentares segundo esses princípios”.

“Se queremos acabar com a fome, com a insegurança alimentar e com as práticas não sustentáveis, é indispensável que os países da América Latina e do Caribe redobrem esforços para aumentar a produtividade e reduzir as desigualdades nas cadeias agroalimentares”, assegurou o representante do IICA nos Estados Unidos, Miguel García-Winder.

Ele também sinalizou que é necessário intensificar os investimentos em inovação, infraestrutura produtiva e em facilitação do comércio, além de aumentar o acesso dos produtores mais vulneráveis a ativos e serviços produtivos. Winder disse ainda que se deve promover os vínculos com mercados de maior valor agregado.
Perspectivas futuras para a agricultura da região

Segundo a publicação, a região da América Latina e do Caribe está se consolidando como uma grande exportadora de grãos e oleaginosas. A estimativa é que a posição nos mercados mundiais de frutas, de hortaliças e de bebidas seja fortalecida.

As perspectivas indicam que a produção pecuária regional continuará consolidando-se, mas deverá enfrentar questionamentos devido aos seus efeitos ambientais e práticas não sustentáveis.

O livro aponta que a aquicultura será um dos setores de maior crescimento no futuro e que o setor florestal deve fortalecer suas funções econômicas e sociais.
Recomendações para uma produtividade sustentável

O informa destaca, entre as recomendações, a necessidade de implementar estratégias integradas de políticas públicas. Isso inclui melhorar as políticas macroeconômicas nos países e a realização de reformas estruturais que garantam sustentabilidade social e econômica da agricultura.

Para que isso aconteça, será necessário modernizar as regulamentações, fortalecer os mercados internos e as políticas comerciais, além de impulsionar os investimentos, a inovação e o desenvolvimento da infraestrutura.

No âmbito setorial, o estudo recomenda o aumento de novas tecnologias, de maquinários, da agricultura de precisão e o melhoramento da integração das cadeias agroalimentares. O uso de sistemas de informação e a geração de evidências necessárias para que os países possam tomar melhores decisões também será um fator determinante.

O relatório ainda sinaliza que os países devem aprofundar os esforços para enfrentar e mitigar os efeitos das mudanças climáticas e melhorar os processos de monitoramento e avaliação de políticas públicas.
América do Sul responde por 93% da queda das exportações agrícolas

Durante 2017, a região melhorou a posição nos mercados agrícolas internacionais, embora tenha ocorrido uma queda geral nas exportações. Mesmo assim, a queda foi menor do que a sofrida pelos principais países concorrentes.

O México e os países da América Central foram os que apresentaram o melhor desempenho no comércio de cultivos agrícolas, devido à proximidade comercial que possuem com os Estados Unidos, cuja economia mostrou uma importante recuperação em 2016.

Houve uma diminuição nas exportações agroalimentares na América do Sul, especialmente devido ao declínio nas exportações de oleaginosas e cereais (arroz e milho). Isso significou que esta região foi a responsável por 93% da queda nas exportações agroalimentares da América Latina e do Caribe (7,15% da diminuição total de 7,7% de ALC).

Em termos gerais, espera-se que nos próximos anos a produção e a exportação da maioria dos cultivos e produtos pecuários de toda a região se recuperem rapidamente.

Durante a apresentação do informe, foi lançado o site www.agrirural.org, que permite acessar os recursos gerados pelas três instituições nos quase dez anos que trabalharam conjuntamente no projeto de “Perspectivas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural”.

Além de permitir o download dinâmico e interativo de todos os informes bienais construídos até agora, a página web permite realizar buscas personalizadas, visualizações e baixar dados utilizados na elaboração do documento.

Ela também reúne boletins técnicos, infográficos, entrevistas em áudio e vídeo, além de mensagens-chave e gráficos que apresentam as conclusões do documento de maneira simples e interativa.
FAO e IICA, unidos no caminho para os ODS

Na XIX Reunião Ordinária da Junta Interamericana da Agricultura (JIA), em que foi eleito o argentino Manuel Otero como diretor-geral do IICA para o período 2018-2022, foi firmado o Memorando de Entendimento entre o instituto e a FAO.

O objetivo deste acordo é fortalecer a cooperação técnica entre os Estados-membros dentro do marco da Agenda 2030. Para isso, serão impulsionadas pesquisas e projetos conjuntos que multipliquem o impacto gerado e contribuam para a tomada de decisões dos países da região.

Entre as iniciativas prioritárias estão o Corredor Seco Centro-americano e o Acordo de Paz na Colômbia, assim como o desenvolvimento rural agrícola e rural no Caribe.

 

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