por Gilberto Antonio Cantú*
A notícia de uma supersafra, com produção recorde de 185 milhões de toneladas, era para ser positiva. Mas a verdade é que, diante de tantos problemas para escoá-la, esse anúncio pode se tornar um grande pesadelo, uma vez que, com o avanço da colheita de uma supersafra de grãos, sofremos a ameaça de um apagão logístico. Atualmente, nossa ineficaz infraestrutura de escoamento da produção – incluindo mão de obra, armazéns, estradas, portos e ferrovias – mostra que teremos enormes dificuldades para transportar a produção.
Mas o desafio da logística brasileira vai além dessa ineficiência. A falta de mão de obra especializada limita a expansão das atividades e gera uma agravante no desafio de escoar a safra 2012/13. Esse problema não é novidade, principalmente nesta época do ano, mas está sendo potencializado com a nova lei do tempo de direção. A Lei 12.619 regulamenta a profissão de motorista profissional com vínculo empregatício, cria jornada de trabalho especial para o motorista empregado e regulariza o tempo de direção e de descanso de todos os motoristas, incluídos os transportadores autônomos.
Um cenário que custa caro para toda a cadeia de escoamento da produção, inclusive para o consumidor, que deve pagar o fim desta conta.
Para os transportadores, com essa nova legislação restam duas alternativas. A primeira é programar paradas em pontos estratégicos. A segunda é trafegar com dois motoristas, em rodízio. Ambas irão gerar aumentos de custos significativos para os transportadores.
E, além de todos esses problemas, talvez tenhamos de lidar com possíveis filas de caminhões ao longo da BR-277. Apesar de seguirmos as regras do agendamento da entrega de carga pelo sistema Carga Online, da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), as causas para essas filas vão muito além da falta de agendamento no sistema.
A grande verdade é que não há infraestrutura adequada para o escoamento da safra. Ainda mais com este anúncio recorde. E certamente teremos de lidar novamente com o caos do escoamento, já que nos últimos cinco anos não tivemos movimento significativo nas estruturas de transporte.
Resta a pergunta: até quando?
* Gilberto Antonio Cantú é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar).