Orlândia sediará os 80 anos da aviação agrícola brasileira
O primeiro voo aeroagrícola no Brasil ocorreu em 19 de agosto de 1947
Foto: Divulgação
Volta do Congresso AvAg a São Paulo no ano que vem foi anunciado no fechamento, em Goianápolis/GO, da edição 2026 do maior encontro aeroagrícola mundial
Orlândia, no interior de São Paulo, será o palco da principal comemoração do octogésimo aniversário aviação agrícola brasileira. A cidade, na região de Ribeirão Preto, receberá de 17 a 19 de agosto de 2027 a próxima edição do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg), considerado o maior encontro aeroagrícola do mundo. Aliás, por causa da data histórica, o evento no ano que vem um nome especial: Congresso 80 Anos da Aviação Agrícola do Brasil.
O anúncio foi feito na quinta-feira (20), pela presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Hoana Almeida Santos. Isso durante o Café com as Associadas, no último dia do Congresso AvAg 2026, encerrado em Goianápolis, Goiás. No ano que vem, o evento promovido pelo Sindag aterrissa na base da empresa Tangará Aeroagrícola, em Orlândia – na Região Metropolitana de Ribeirão Preto.
A edição que encerrou nesta semana, em Goianápolis, reuniu em sua mostra técnica mais de 200 marcas de fornecedores de tecnologias, equipamentos, aeronaves e serviços – distribuídos em 18 mil metros quadrados de estandes. Paralelo a uma agenda de debates e painéis em dois auditórios, bem como reuniões entre lideranças do setor, autoridades e pesquisadores. Tendo, ainda, o Congresso Científico da Aviação Agrícola – que teve neste ano a participação recorde de 26 trabalhos acadêmicos.
Agenda para a década
Enquanto isso, a preparação para a festa dos 80 anos começou ainda durante o Congresso AvAg 2026 e seguirá ao longo dos próximos 12 meses até a edição paulista. Entre as iniciativas está a Agenda 2037 da Aviação Agrícola Brasileira, construída a partir de um workshop realizado em Goiânia na véspera da edição deste ano.
O trabalho reuniu especialistas e representantes do setor para apontar prioridades de longo prazo em áreas como formação profissional, segurança operacional, estabilidade regulatória, agricultura de precisão, integração entre aviões, helicópteros e drones, inteligência de dados e rastreabilidade.
Gênese do setor
O primeiro voo aeroagrícola no Brasil ocorreu em 19 de agosto de 1947, na cidade gaúcha de Pelotas, para o combate a uma praga de gafanhotos que dizimava produção agrícola na fronteira sul do País. Foi quanto o piloto Clóvis Gularte Candiota e o agrônomo Antônio Leôncio Fontelles (então agente local do Ministério da Agricultura) improvisaram em um avião do aeroclube local uma tecnologia que havia surgido em 1921, nos Estados Unidos – e já era utilizada também na Argentina e Uruguai.
Hoje, o Brasil tem a segunda maior frota aeroagrícola do planeta, com quase 3 mil aviões e helicópteros atuando em 23 Estados. Neste segmento, o País está atrás apenas dos Estados Unidos (que tem 3,6 mil aeronaves) e à frente de potências como Argentina, México, Austrália e Nova Zelândia.
E um dado curioso a mais: os pilotos brasileiros são os que mais voam no setor – já que em algumas regiões do País atuam no trato de três safras anuais. Sem falar nas operações de combate a incêndios florestais, onde (segundo dados de 2024) chegam a lançar mais de 40 milhões de litros de água contra as chamas em diversos Estados.
Ligação histórica com os paulistas
Além de marcar o octogésimo aniversário do setor, a edição de 2027 representará o retorno do Congresso AvAg a São Paulo depois de três edições consecutivas fora do Estado. Sertãozinho, também na região de Ribeirão Preto, havia recebido o encontro presencialmente em 2019, 2022 e 2023. Lembrando que foi no interior paulista que ocorreu o primeiro voo agrícola feminino do País. A cargo da pioneira Ada Rogato e menos de seis meses após o início do setor no Sul do País.
Em 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, o Congresso foi realizado em formato virtual. Depois, a programação seguiu para Santo Antônio do Leverger, em Mato Grosso, em 2024 e 2025, e para Goianápolis, em Goiás, em 2026.
Com 328 aeronaves agrícolas (conforme o último levantamento feito pelo Sindag), o Estado possui hoje a terceira maior frota do País. Atrás apenas de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. E à frente de outros 20 Estados.
Sustentabilidade
Também é no território paulista que está parcela importante da indústria e da tecnologia do segmento. Por exemplo, a fabricação (desde os anos 1970) do avião agrícola Ipanema, produzido pela Embraer. Que, aliás, desde 2004, sai de fábrica movido a etanol (um case único no mundo no setor).
Não à toa, o modelo responde por cerca de 50% da frota brasileira e sua versão a etanol é responsável, sozinha, por mais de um quarto da frota aeroagrícola do País ser movida a biocombustível.
Já em termos de mercado internacional, há pelo menos dois anos o Brasil também passou a ser o principal mercado das fabricantes norte-americanas de aviões Thrush Aircraft e Air Tractor. Ambas dominam o mercado internacional de aeronaves agrícolas turboélices, maiores e de maior desempenho (ideais para áreas mais extensas).
Pioneirismo
Aliás, vale lembrar que São Paulo teve, em fevereiro de 1948, o primeiro voo aeroagrícola feminino do País (menos de seis meses depois da operação no RS). Neste caso, a cargo de ninguém menos do que a aviadora paulista Ada Rogato.
Ainda no quesito histórico, o Estado está ligado aos grandes encontros nacionais da aviação agrícola desde 1971, quando a capital paulista recebeu, no Parque Anhembi, a primeira grande reunião nacional dos aplicadores aéreos brasileiros – promovida pelo Ministério da agricultura. Nas décadas seguintes, cidades paulistas como Guarujá, São José do Rio Preto, Campinas, Botucatu, Ribeirão Preto e Sertãozinho também entraram na rota dos principais simpósios, encontros e congressos que ajudaram a formar a trajetória do atual Congresso AvAg. Orlândia será a próxima cidade paulista a integrar essa história.
Com 328 aeronaves agrícolas (conforme o último levantamento feito pelo Sindag), o Estado possui hoje a terceira maior frota do País, atrás apenas de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. E concentra também uma parcela importante da indústria e da tecnologia do segmento. É onde, desde os anos 1970, é fabricado o avião agrícola Ipanema, da Embraer. Que, aliás, desde 2004, sai de fábrica movido a etanol (um case único no mundo no setor). Daí, não é a toa não só responda por cerca de 50% da frota brasileira, como seja responsável por mais de um quarto da frota aeroagrícola do País ser movida a biocombustível.
Isso ao mesmo tempo em que há pelo menos dois anos já seja o principal mercado das fabricantes norte-americanas de aviões Thrush Aircraft e Air Tractor – que produzem aeronaves turboélices, maiores e de maior desempenho (ideais para áreas mais extensas).