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Ovos mais caros: preço dispara e preocupa famílias

O preço da dúzia de ovos subiu 9,21% na capital paulista


Foto: Divulgação

O preço da dúzia de ovos subiu 9,21% na capital paulista entre janeiro e fevereiro de 2026, em um movimento puxado pela demanda aquecida, pela alta das exportações brasileiras e pelos custos de produção ainda elevados. A elevação ocorre em meio a um cenário mais amplo de pressão sobre os alimentos, grupo que avançou 4,55% no IPCA de fevereiro.

Na avaliação do economista Gesner Oliveira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados, a alta não é pontual e reflete um desequilíbrio entre oferta e demanda em um item cada vez mais presente na mesa do brasileiro.

“O aumento de 9,21% no preço da dúzia de ovos na capital paulista entre janeiro e fevereiro de 2026 reflete pressões simultâneas sobre oferta e demanda, dentro de um cenário de alimentos básicos com alta mais ampla”, afirma. Segundo ele, o encarecimento do produto acompanha uma tendência estrutural do mercado de alimentos e tem impacto direto no custo de vida, especialmente para as famílias de menor renda.

Um dos principais motores dessa valorização é o avanço do consumo interno. Estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que o consumo por brasileiro chegou a 287 unidades em 2025, alta de 6,7% em relação a 2024 e de 33,4% na comparação com 2015.

Para Gesner Oliveira, esse movimento está ligado ao chamado “boom das proteínas”, com maior procura por alternativas mais acessíveis diante do encarecimento de outras fontes proteicas. “A pressão sobre os ovos combina a expansão da demanda interna, impulsionada pelo chamado ‘boom das proteínas’, com a redução da oferta decorrente do aumento das exportações brasileiras, que restringe o volume disponível para o mercado doméstico”, explica.

Além do consumo mais forte, o mercado interno também sente os efeitos da menor disponibilidade do produto. Com o aumento dos embarques ao exterior, parte da produção deixa de abastecer o mercado doméstico, o que ajuda a sustentar os preços em patamar mais elevado.

Outro fator de peso é o custo de produção. Despesas com ração e energia seguem pressionando o setor e dificultam uma acomodação mais rápida dos preços.

“Custos de produção elevados, especialmente ração e energia, sustentam a tendência de alta, tornando difícil uma acomodação rápida dos preços e mantendo a trajetória iniciada no final de 2025”, destaca o economista. 

Os dados do primeiro bimestre reforçam esse cenário. O preço médio da dúzia passou de R$ 10,04 em dezembro de 2025 para R$ 10,44 em fevereiro de 2026, o que representa alta de 3,98% no período. Embora o peso do ovo no índice geral de inflação seja limitado, o efeito sobre o orçamento doméstico é relevante. Por fazer parte da cesta básica e ser uma proteína amplamente consumida, o produto tem impacto direto sobre o poder de compra das famílias.

“Do ponto de vista inflacionário, a evolução do preço do ovo impacta diretamente famílias de menor renda, dada a relevância do item na cesta básica, afetando a percepção de perda de poder de compra e pressionando a inflação de alimentos essenciais”, afirma Oliveira. Na prática, a alta do ovo reforça uma pressão já sentida no dia a dia do consumidor e sinaliza que a inflação dos alimentos básicos continua sendo um dos principais desafios para o orçamento das famílias brasileiras.

 

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