Paraíba lidera produção de Arroz Vermelho
O objetivo foi debater com os participantes noções sobre a importância das variedades
O evento, promovido pelo Instituto Nacional do Semi-árido (INSA/MCT) e apoio da Embrapa Arroz e Feijão, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Banco do Nordeste (BNB), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PB), Federação da Agricultura e da Pecuária da Paraíba (Faepa) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) foi uma importante oportunidade para a troca de experiências entre os atores envolvidos na cultura do arroz na Paraíba.
O objetivo do curso foi apresentar e debater junto aos participantes noções sobre a importância da escolha das variedades e uso de boas práticas de produção, processamento, beneficiamento e comercialização do arroz vermelho, apontando alternativas que permitam ao produtor melhorar o desenvolvimento desta cultura, tornando-a sustentável tanto no Vale do Piancó, quanto nas demais regiões do País.
A denominação “arroz vermelho” deve-se à coloração avermelhada do pericarpo dos grãos, devido ao acúmulo de tanino ou de antocianina. No passado o arroz vermelho era amplamente cultivado em países asiáticos, entretanto este cultivo foi diminuindo.
No Brasil, o arroz vermelho foi trazido pelos portugueses em 1535, onde reinou sozinho até 1765. Primeiramente foi cultivado na Capitania de Ilhéus, o atual estado da Bahia. Com o estímulo por parte da coroa portuguesa ao plantio de arroz branco, este tipo arroz passou a ser cultivado na região semi-árida do nordeste, concentrando-se no Vale do Rio Branco (Paraíba), onde encontramos a maioria das plantações de hoje. Só no Vale do Piancó (PB) existem mais de mil famílias que se dedicam a esta cultura.
O arroz vermelho possui muitos nutrientes sendo utilizado até mesmo como remédio, em algumas localidades de país. Por sua bela cor, o cereal acabou caindo no gosto da gastronomia, surgindo como uma opção ao arroz branco, e até aos italianos, na confecção de saladas e risotos.
O pesquisador José Almeida Pereira, da Embrapa Meio Norte e um dos incentivadores da cultura na região, mantém experimentos para avaliação de variedades e linhagens de arroz-vermelho. O objetivo desta pesquisa é gerar informações para o manejo da cultura e lançamento comercial de variedades para os próximos anos. Outras instituições também vêm executando os trabalhos em prol da rizicultura daquele estado, entre eles: o MAPA, que está à frente do trabalho de fomento de indicação geográfica; o SENAR coordena um trabalho de levantamento de informações para subsidiar o processo de indicações geográficas. A Emater e Universidade também têm dedicado esforço à causa.
Os instrutores do curso adotaram a estratégia de mobilização e participação do público. Esta postura possibilitou o afloramento de pontos que precisam ser melhorados na produção e comercialização do Arroz Vermelho. Destaca-se, por exemplo, a necessidade de melhoria da qualidade de grãos. Outros pontos não menos importantes são: definir os mercados alvo; necessidade de organização dos produtores; priorização de pontos estrangulamento (tecnológicos e logísticos).