O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) lança hoje o IPR 98 - nova variedade de café. A cerimônia ocorrerá no Centro de Difusão de Tecnologias do Iapar, em Londrina. O vice-governador e secretário da agricultura, Orlando Pessuti, participa. Após a solenidade de lançamento, haverá degustação da bebida e visita a lavouras na estação experimental.
A nova cultivar tem porte baixo, resistência à ferrugem, potencial para produzir mais de 75 sacas beneficiadas por hectare (em plantio adensado) e ciclo de maturação mediano - diferencial que permite arranjos com outras variedades para viabilizar a colheita em etapas. "É a alternativa que buscávamos para escalonar a colheita", comemora Tumoru Sera, pesquisador da Área de Melhoramento Vegetal do Iapar. "A colheita escalonada reduz gastos com mão-de-obra e infra-estrutura e possibilita colher maior quantidade de frutos maduros, o que dá uma bebida de qualidade superior", diz.
O pesquisador também explica que os agricultores têm poucas opções de materiais que reunam porte baixo com resistência à ferrugem. "Apenas as cultivares Iapar 59, Tupi IAC e Obatã IAC têm as duas características", afirma. A ferrugem causa, em média, 40% de prejuízos na produtividade das lavouras do estado, de acordo com o pesquisador. As pulverizações para controle da doença aumentam em 10% o custo de produção dos cafezais, além de causar danos ao meio ambiente. Já a planta pequena - outra característica buscada pela pesquisa - diminui a necessidade de podas e proporciona cerca de 30% de economia na operação de colheita.
A IPR 98 é recomendada para todas as regiões cafeeiras do Paraná. Seus frutos amadurecem na primeira quinzena de julho (lavouras em terra roxa) e primeira quinzena de maio (arenito), no período intermediário ao das variedades IAPAR 59 e Tupi IAC.
A área ocupada com cafezais no Paraná é de 123,7 mil hectares, que devem produzir, este ano, cerca de 2,5 milhões de sacas beneficiadas, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. Predomina a produção familiar, 80% das mais de 15 mil propriedades têm menos de 50 hectares.
Correta escolha da área para plantio, manejo de pragas e doenças, poda e proteção contra geadas são algumas das mais de 70 práticas adotadas pelo produtor de café no sistema adensado.