A Parmalat Alimentos deverá se desfazer de parte de suas indústrias no Brasil, disse o presidente da empresa no país, Ricardo Gonçalves, durante depoimento em comissão da Câmara dos Deputados. O aval foi dado pela matriz, na Itália. A empresa de leites Itambé informou à Folha que tem interesse nas unidades fabris em Garanhuns (PE), Itaperuna (RJ) e Santa Helena (GO).
A empresa começou a traçar um projeto de reestruturação que passa pela venda de ativos e pela redução no número de diretores, além de uma possível mudança de sede, apurou a Folha. O número de diretores (há seis) pode ser reduzido à metade, segundo o projeto comandado pela consultoria Galeazzi & Associados. O grupo não comenta a informação.
"A sobrevivência da Parmalat é uma questão de dias. Não estamos falando em semanas, estamos falando em dias. Quantos dias vão ser? Eu não tenho uma explicação", afirmou o executivo.
Gonçalves disse que o interventor italiano, Enrico Bondi, autorizou a venda e que algumas propostas já foram recebidas. Ele considera que a venda é a solução viável para a continuidade das atividades da empresa, já que com isso será possível fazer caixa de forma rápida. A empresa precisa de R$ 75 milhões agora para manter as atividades.
Gonçalves, Ivan Zorzo, contador da Parmalat, Alpoim da Silva, representante do Comitê de Fiscalização da Parmalat, e Carlos Monteiro, ex-diretor financeiro da empresa, deram explicações sobre a situação da companhia à Comissão da Parmalat da Câmara dos Deputados.
"Eu acho muito difícil saber qual será o resultado final [da crise da Parmalat no Brasil]. Mas, se nós olharmos os credores que existem na área financeira e o interesse de empresas em adquirir parte ou a totalidade [das indústrias], eu acredito que, sem sombra de dúvida, a solução deveria ser por meio da venda", afirmou o presidente da empresa.
Para ele, um dos problemas que agravaram a situação da empresa foi a interrupção do envio, da Itália, de recursos que estavam acertados para a reestruturação da empresa no Brasil. Gonçalves afirmou que os recursos variavam a cada mês, de R$ 10 milhões a R$ 30 milhões.
Lei de Falências
Uma alternativa para a empresa sugerida por Gonçalves é a publicação de uma medida provisória que antecipe as novas regras da Lei de Falências, que está em discussão no Senado. Isso, diz, permitiria à empresa captar novos recursos no mercado. A nova lei permite que a empresa capte novos recursos de credores.
Alpoim da Silva, que foi designado pela Justiça para fiscalizar as contas da empresa, diz que que verificou, em suas análises, uma "empresa com uma administração eficiente e transparente".
Ele diz que o total de ativos é de R$ 554 milhões, e o de passivos, R$ 828 milhões. O grupo Parmalat é investigado na Itália por fraude contábil e desvio de recursos.
Carlos Monteiro, ex-diretor financeiro e citado em interrogatórios de funcionários na Itália como um dos homens que comandava operações que desviaram recursos do grupo, também esteve na Câmara. Ele estima que a dívida da Parmalat Participações seja de R$ 1,3 bilhão.