Pastagens têm recuperação parcial após chuvas
Pastagens de verão avançam para fase final
Foto: Canva
O campo nativo no Rio Grande do Sul está no final do ciclo produtivo e apresenta redução na capacidade de rebrota e na qualidade nutricional, conforme aponta o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado pela Emater/RS-Ascar. O levantamento indica que o desenvolvimento das pastagens cultivadas depende das chuvas registradas em cada região.
Segundo o informativo, “o campo nativo está no final do ciclo produtivo, com baixa capacidade de rebrota, e começou a perder qualidade nutricional”. Em contraste, o campo nativo melhorado apresentou bom desenvolvimento. Nas áreas em que ocorreram precipitações no período, as pastagens cultivadas seguem com crescimento considerado adequado, enquanto nas regiões sem chuva as plantas apresentam estagnação e sinais de murcha nos períodos mais quentes.
Diante desse cenário, produtores começaram a planejar a implantação das pastagens de inverno, com culturas como aveia, azevém e trigo para pastejo. Conforme o relatório, os agricultores avaliam “as áreas, a disponibilidade hídrica, a adubação e as estratégias de conservação de forragem”.
Na região administrativa de Bagé, que abrange municípios como Uruguaiana e Quaraí, os campos nativos apresentaram recuperação após as chuvas registradas desde a segunda quinzena de fevereiro. Em São Gabriel, áreas que receberam maiores volumes de precipitação registram melhores condições, embora a irregularidade das chuvas ainda reduza a oferta de forragem. O informativo destaca que práticas de manejo, como o ajuste de lotação durante a estiagem, contribuíram para a recuperação de algumas áreas.
Na região administrativa de Caxias do Sul, o desempenho das forrageiras é considerado satisfatório, com rebrota e disponibilidade de pasto. Em algumas propriedades houve realização de fenação das forrageiras de verão.
Já na região de Frederico Westphalen, as condições variam entre localidades devido à irregularidade das chuvas. Em Ijuí, o ciclo das pastagens anuais e perenes se prolongou, porém com redução na produção de folhas e aumento do material fibroso. Nas regiões de Passo Fundo e Porto Alegre, as pastagens cultivadas de verão permanecem em crescimento, com oferta considerada adequada.
Na região administrativa de Pelotas, especialmente em Pedras Altas, as pastagens de verão avançaram para a fase reprodutiva. Em algumas localidades, o desenvolvimento foi prejudicado pela escassez hídrica prolongada. Áreas cultivadas com milheto e capim-sudão estão diferidas e ainda sem perspectiva de recuperação nesta safra.
Na região de Santa Maria, o levantamento aponta retomada do crescimento das pastagens, com aumento da oferta para os rebanhos. Em Santa Rosa, as chuvas favoreceram rebrotas pontuais e permitiram cortes para produção de feno em algumas propriedades. Mesmo assim, o relatório destaca que o suprimento forrageiro permanece reduzido, exigindo atenção dos produtores quanto ao desempenho dos rebanhos nas próximas semanas.
O informativo indica ainda que o desenvolvimento das pastagens anuais e perenes está desacelerado em parte das áreas. Espécies mais resistentes, como braquiária, tifton, capiaçu e Kurumi, chegaram a rebrotar após as chuvas, mas voltaram a apresentar estagnação. Em áreas pedregosas, a oferta de forragem praticamente cessou. pastagens de capim-sudão, milheto e sorgo também se aproximam do final do ciclo, com aumento da fibrosidade e redução do valor nutritivo.
Produtores que utilizam irrigação conseguiram manter maior oferta de forragem e, em alguns casos, realizar adubação nitrogenada, embora muitos sistemas operem com reservatórios em nível crítico. Práticas como controle da carga animal, roçadas, adubação orgânica com dejetos de suínos e escalonamento de áreas têm sido adotadas para reduzir os impactos da escassez de chuva.
Na região administrativa de Soledade, a produção de espécies perenes, como tifton, panicum e BRS Kurumi, apresenta níveis adequados. Já as pastagens anuais registraram atraso no crescimento em alguns municípios em razão da restrição hídrica.