Pasto após a soja exige estratégia para dar resultado
O primeiro pastejo deve ocorrer na altura recomendada para cada cultivar
O primeiro pastejo deve ocorrer na altura recomendada para cada cultivar - Foto: Canva
O uso de pastagens na safrinha deve ganhar mais espaço em 2026, em um cenário de atraso na colheita da soja em algumas regiões, menor atratividade dos grãos e valorização da pecuária. A avaliação é do engenheiro agrônomo Hemython Luis Bandeira do Nascimento, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.
Nesse contexto, produtores têm ampliado o uso de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária, com milho ou sorgo consorciados com capim, ou mesmo com o cultivo exclusivo de forrageiras após a soja. A estratégia permite o pastejo do gado durante a safrinha, no modelo conhecido como “boi safrinha”, e contribui para a formação de palhada para a safra seguinte.
Para que o sistema entregue bons resultados, o manejo técnico é decisivo. O capim precisa ser tratado como uma cultura agrícola, com controle inicial de plantas daninhas e tigueras, evitando competição por luz, água e nutrientes. A definição da lotação também exige atenção, com amostragem da forragem antes da entrada dos animais e cálculo da capacidade de suporte de cada área.
O primeiro pastejo deve ocorrer na altura recomendada para cada cultivar, evitando pastos muito altos, com excesso de colmos e fibras. No caso da Brachiaria ruziziensis, a orientação é iniciar o pastejo quando o capim atingir, no máximo, 50 centímetros.
“Por fim, é importante ressaltar que esses pastos não devem ser excessivamente pastejados. Após a retirada dos animais, deve permanecer um bom volume residual de massa vegetal para dessecação e formação de palhada para a cultura seguinte. O ideal é garantir entre três e cinco toneladas de matéria seca por hectare, assegurando boa cobertura do solo e maior supressão de plantas daninhas”, conclui.