Algumas raças bovinas reúnem melhor rusticidade à maior capacidade produtiva conforme o criatório
Fortaleza Qual a melhor raça de bovinos para ser criada no Ceará? Como o clima interfere na produção de leite? As dúvidas que em geral habitam a cabeça dos criadores, especialmente os pecuaristas iniciantes, não é de fácil resposta, tendo em vista que não existe uma raça de bovino melhor que a outra. Todas têm suas vantagens e suas desvantagens.
As raças Gir e Holandesa podem dar origem ao novo bovino Girolando, que apresenta melhor capacidade produtiva em clima tropical fotos: honório barbosa/ cid barbosa
No entanto, o criador deveria procurar as raças mais adaptadas às suas condições de criação e quais os ajustes a serem feitos no ambiente para que esse animal tenha condições de produzir uma boa quantidade de leite por um menor custo.
O custo de produção do leite é inversamente proporcional à adaptação dos animais ao ambiente em que ele está submetido e produzindo. Portanto, quanto mais adaptado àquele ambiente, menor é custo de produção e, consequentemente, maior é o lucro da exploração.
Para melhor compreensão do pecuarista, é importante que se conheça algumas características do clima tropical: apresenta temperaturas elevadas e forragens de baixo valor nutritivo. Sendo assim, os animais criados neste ambiente devem apresentar requisitos básicos de adaptação ao calor, alto aproveitamento das pastagens grosseiras, maior resistências aos ecto e endoparasitos (carrapatos e verminoses), exigindo ainda um menor cuidados com as instalações.
Essas características tem uma influência tão grande na produção, indo da diminuição da quantidade de leite produzido nos animais pouco adaptados, até ao nível de uma produção insignificante que não justifique a sua exploração econômica, chegando a total degeneração ou absoluta falta de adaptação.
Interação
A ecologia é a ciência que explica a interação entre o animal e o seu ambiente. Em qualquer sistema de produção animal, é essencial que as espécies estejam perfeitamente adaptadas a cada fator ambiental para que possam produzir em grande quantidade e com qualidade, por um menor custo. Tudo isto, sem abrir mão do seu bem-estar.
O ambiente é um dos principais fatores que possibilitam o animal exteriorizar todo o seu potencial genético. Dentro de um sistema de produção leiteira, o criador tem que associar as condições ambientais, ao potencial genético do animal e à sua saúde. Estes três fatores devem caminhar juntos para que se tenha uma produção mais rentável. Os bovinos das raças: Holandesa, Jersey, Guernsey e Pardo Suíço apresentam diferentes graus de tolerância ao calor, observando-se que a raça Holandesa é a de menor tolerância e a Jersey é a raça europeia de maior tolerância.
Todavia, a raça Holandesa é bastante difundida em todo o mundo em virtude da sua elevada produção de leite, ainda que, para exteriorizar essa capacidade de produção, ela exija melhores condições de alimentação, de manejo sanitário e melhor qualidade das instalações, elevando assim o custo de produção. Nas últimas décadas, tem havido uma grande tendência na pecuária leiteira brasileira de se realizar o cruzamento das raças Holandesa e Gir, visando aproveitar o enorme potencial leiteiro da raça Holandesa e a grande rusticidade ou poder de adaptação da raça Gir, originando a raça Girolando.
Trata-se de um animal de alta produção, com um leite de alta qualidade e perfeitamente adaptado às condições ambientais da maior parte do País. A raça vem, a cada dia, se firmando como a grande opção para a produção de leite no Brasil.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, as primeiras notícias do surgimento desses animais data-se da década de 40, por iniciativa dos criadores brasileiros começou a ser praticado o cruzamento de bovinos das raças Gir com a Holandesa, para que as duas se complementassem com a rusticidade e produtividade.
A multiplicação desses animais, mesmo desordenadamente, foi acelerada tendo em vista a alta produtividade, eficiência reprodutiva e alta rusticidade. Ainda segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a raça é encontrada em todos os Estados da Federação.
Considerando as características econômicas desta raça, em 1989, o Ministério da Agricultura, juntamente com as associações representativas, traçaram as normas para formação do Girolando - Gado leiteiro tropical (5/8 Holandês + 3/8 Gir = Bi Mestiço), transformando-o em prioridade nacional.
O Ministério de Agricultura delegou a execução dos serviços de registro genealógico e melhoramento genético da raça à Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, com sede em Uberaba (MG), e com representação técnica em quase todos os Estados brasileiros.
Não é objetivo da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, conforme dados colhidos na sua página, que não há qualquer desejo ou espírito competitivo de fazer comparações entre raças, mas sim, a busca de qualidade que cada uma das raças possa oferecer, em diferentes ambientes, para que se complementem com uma maior rusticidade, produtividade e melhor retorno econômico.
A raça, fundamentalmente produto do cruzamento do Holandês com o Gir, passando por variados graus de sangue, direciona-se visando a fixação do padrão racial (no grau de 5/8 Holandês + 3/8 Gir), objetivando um gado produtivo e padronizado nos planteis.
Portanto, a preocupação do criador, ao iniciar uma exploração leiteira, deveria se concentrar na identificação de animais mais adaptados às suas condições de criação. Animais bem adaptados, rústicos, com alta tolerância ao calor e aos raios solares, aproveitam melhor as pastagens grosseiras e oferecem aos criadores maior rentabilidade.
Mais informações
Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Ceará
Campus do Itaperi
Fortaleza
Telefone: (85) 3101.9855
CÉLIO PIRES GARCIA*
ESPERIAL PARA O REGIONAL
Médico Veterinário, diretor e professor de Zootécnica Geral e Bovinocultura da Favet-Uece
Fortaleza Qual a melhor raça de bovinos para ser criada no Ceará? Como o clima interfere na produção de leite? As dúvidas que em geral habitam a cabeça dos criadores, especialmente os pecuaristas iniciantes, não é de fácil resposta, tendo em vista que não existe uma raça de bovino melhor que a outra. Todas têm suas vantagens e suas desvantagens.
As raças Gir e Holandesa podem dar origem ao novo bovino Girolando, que apresenta melhor capacidade produtiva em clima tropical fotos: honório barbosa/ cid barbosa
No entanto, o criador deveria procurar as raças mais adaptadas às suas condições de criação e quais os ajustes a serem feitos no ambiente para que esse animal tenha condições de produzir uma boa quantidade de leite por um menor custo.
O custo de produção do leite é inversamente proporcional à adaptação dos animais ao ambiente em que ele está submetido e produzindo. Portanto, quanto mais adaptado àquele ambiente, menor é custo de produção e, consequentemente, maior é o lucro da exploração.
Para melhor compreensão do pecuarista, é importante que se conheça algumas características do clima tropical: apresenta temperaturas elevadas e forragens de baixo valor nutritivo. Sendo assim, os animais criados neste ambiente devem apresentar requisitos básicos de adaptação ao calor, alto aproveitamento das pastagens grosseiras, maior resistências aos ecto e endoparasitos (carrapatos e verminoses), exigindo ainda um menor cuidados com as instalações.
Essas características tem uma influência tão grande na produção, indo da diminuição da quantidade de leite produzido nos animais pouco adaptados, até ao nível de uma produção insignificante que não justifique a sua exploração econômica, chegando a total degeneração ou absoluta falta de adaptação.
Interação
A ecologia é a ciência que explica a interação entre o animal e o seu ambiente. Em qualquer sistema de produção animal, é essencial que as espécies estejam perfeitamente adaptadas a cada fator ambiental para que possam produzir em grande quantidade e com qualidade, por um menor custo. Tudo isto, sem abrir mão do seu bem-estar.
O ambiente é um dos principais fatores que possibilitam o animal exteriorizar todo o seu potencial genético. Dentro de um sistema de produção leiteira, o criador tem que associar as condições ambientais, ao potencial genético do animal e à sua saúde. Estes três fatores devem caminhar juntos para que se tenha uma produção mais rentável. Os bovinos das raças: Holandesa, Jersey, Guernsey e Pardo Suíço apresentam diferentes graus de tolerância ao calor, observando-se que a raça Holandesa é a de menor tolerância e a Jersey é a raça europeia de maior tolerância.
Todavia, a raça Holandesa é bastante difundida em todo o mundo em virtude da sua elevada produção de leite, ainda que, para exteriorizar essa capacidade de produção, ela exija melhores condições de alimentação, de manejo sanitário e melhor qualidade das instalações, elevando assim o custo de produção. Nas últimas décadas, tem havido uma grande tendência na pecuária leiteira brasileira de se realizar o cruzamento das raças Holandesa e Gir, visando aproveitar o enorme potencial leiteiro da raça Holandesa e a grande rusticidade ou poder de adaptação da raça Gir, originando a raça Girolando.
Trata-se de um animal de alta produção, com um leite de alta qualidade e perfeitamente adaptado às condições ambientais da maior parte do País. A raça vem, a cada dia, se firmando como a grande opção para a produção de leite no Brasil.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, as primeiras notícias do surgimento desses animais data-se da década de 40, por iniciativa dos criadores brasileiros começou a ser praticado o cruzamento de bovinos das raças Gir com a Holandesa, para que as duas se complementassem com a rusticidade e produtividade.
A multiplicação desses animais, mesmo desordenadamente, foi acelerada tendo em vista a alta produtividade, eficiência reprodutiva e alta rusticidade. Ainda segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a raça é encontrada em todos os Estados da Federação.
Considerando as características econômicas desta raça, em 1989, o Ministério da Agricultura, juntamente com as associações representativas, traçaram as normas para formação do Girolando - Gado leiteiro tropical (5/8 Holandês + 3/8 Gir = Bi Mestiço), transformando-o em prioridade nacional.
O Ministério de Agricultura delegou a execução dos serviços de registro genealógico e melhoramento genético da raça à Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, com sede em Uberaba (MG), e com representação técnica em quase todos os Estados brasileiros.
Não é objetivo da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, conforme dados colhidos na sua página, que não há qualquer desejo ou espírito competitivo de fazer comparações entre raças, mas sim, a busca de qualidade que cada uma das raças possa oferecer, em diferentes ambientes, para que se complementem com uma maior rusticidade, produtividade e melhor retorno econômico.
A raça, fundamentalmente produto do cruzamento do Holandês com o Gir, passando por variados graus de sangue, direciona-se visando a fixação do padrão racial (no grau de 5/8 Holandês + 3/8 Gir), objetivando um gado produtivo e padronizado nos planteis.
Portanto, a preocupação do criador, ao iniciar uma exploração leiteira, deveria se concentrar na identificação de animais mais adaptados às suas condições de criação. Animais bem adaptados, rústicos, com alta tolerância ao calor e aos raios solares, aproveitam melhor as pastagens grosseiras e oferecem aos criadores maior rentabilidade.
Mais informações
Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Ceará
Campus do Itaperi
Fortaleza
Telefone: (85) 3101.9855
CÉLIO PIRES GARCIA*
ESPERIAL PARA O REGIONAL
Médico Veterinário, diretor e professor de Zootécnica Geral e Bovinocultura da Favet-Uece