Pecuaristas rejeitam plano para recuperação

Agronegócio

Pecuaristas rejeitam plano para recuperação

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Reunidos ontem na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), cerca de 40 pecuaristas goianos bateram o martelo: não aceitarão a proposta de recuperação judicial do frigorífico Independência, tal como apresentada pelos gestores da empresa. O ponto chave da discórdia é o da forma de pagamento dos créditos dos pecuaristas.

Conforme a proposta apresentada pelo frigorífico, serão pagos em uma única parcela os créditos de pecuaristas até o valor de R$ 80 mil, mas condicionado ao aporte de R$ 330 milhões em empréstimo pleiteado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ainda conforme o plano de recuperação, os créditos que excederem aos R$ 80 mil serão pagos em 36 parcelas de R$ 1 mil.

Deságio
O presidente da Comissão de Pecuárias de Corte da Faeg, José Manoel Caixeta, diz que o texto do plano dissimula uma proposta de deságio para quem tiver mais de R$ 36 mil além dos R$80 mil a serem pagos em parcela única. Esses R$ 80 mil, aliás, foram reajustados para R$ 100 mil, numa proposta do frigorífico para que pecuaristas credores outorguem procurações para advogados da empresa representá-los no processo de recuperação judicial.

José Manoel diz acreditar que o comitê de bancos credores do Independência também rejeitará a proposta, “pois os dirigentes das instituições sabem que sem os pecuaristas pode acontecer tudo, menos a recuperação do frigorífico”. Durante o encontro, os produtores também decidiram atuar em bloco na assembléia que apreciará a proposta de recuperação, cuja data ainda não foi marcada.

Procuração
Para dar maior impacto e agilidade à atuação do segmento, os pecuaristas goianos credores do Independência aprovaram a proposta de outorgarem procurações coletivas nomeando seus representantes na assembléia. Todos saíram do encontro com o compromisso de se juntarem à Faeg na mobilização dos 120 pecuaristas goianos que somam créditos de R$ 30 milhões junto ao frigorífico.

Credores
Ao todo, o Independência deve cerca de R$ 3,5 bilhões a 3,1 mil credores, inclusive instituições financeiras. Em todo o País, os pecuaristas credores da empresa somam 1.524, com créditos que chegam a R$ 194 milhões. Conforme José Manoel Caixeta, a proposta dos pecuaristas é para que o frigorífico pague seus créditos de uma única vez e sem condicionar a aporte de recursos de terceiros.

O pecuarista José Lopes Coelho, do município de Iporá, diz que a crise no Independência teve como ponto positivo deflagrar um processo de união dos produtores em defesa dos seus interesses. “Até aqui foi muito fácil dar o calote nos pecuaristas. Era só acumular débitos e depois declarar-se quebrado.”


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