Pegamento de grãos no arroz depende de radiação, água e manejo
Manejo reprodutivo do arroz irrigado é uma das etapas mais sensíveis do ciclo
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O manejo reprodutivo do arroz irrigado é uma das etapas mais sensíveis do ciclo, porque é nesse período que se consolida boa parte do potencial produtivo da lavoura. Segundo dados do IRGA, a formação e o enchimento de grãos dependem fortemente das condições ambientais e do manejo conduzido pelo produtor.
O Instituto diz que, o subperíodo de formação e enchimento de grãos dura em geral de 30 a 40 dias, variando principalmente em função da temperatura do ar. Isso significa que lavouras expostas a condições menos favoráveis nesse intervalo podem perder eficiência justamente no momento em que a planta precisa transformar florescimento em rendimento final.
A radiação solar é um dos fatores mais decisivos nessa fase. O período entre diferenciação da panícula e enchimento de grãos é crítico e responde de forma direta à combinação entre temperatura e oferta de radiação, com reflexos sobre fertilidade, enchimento e qualidade do produto colhido. Por isso, o alto pegamento de grãos começa antes mesmo do florescimento. A escolha da época de semeadura, o arranjo da lavoura e o manejo geral precisam favorecer que as fases mais exigentes coincidam com ambiente mais propício. No arroz irrigado, planejamento de calendário é parte do manejo reprodutivo.
A água também precisa ser mantida sem oscilações que gerem estresse. Ainda conforme dados do IRGA, o arroz irrigado desenvolve-se normalmente quando encontra nutrientes, luminosidade e ambiente livre de limitações severas. Isso vale especialmente para o estádio reprodutivo, em que qualquer quebra de estabilidade pode reduzir o aproveitamento do potencial da panícula. Outro ponto é a sanidade da lavoura. Embora o foco aqui seja o pegamento, o estádio reprodutivo coincide com maior sensibilidade a doenças e outros fatores que afetam a panícula.
O manejo nessa fase precisa preservar a estrutura formada, evitando que perdas invisíveis se convertam em espiguetas vazias ou grãos mal cheios. Na prática, março costuma concentrar lavouras exatamente nesse momento fisiológico, o que exige leitura fina do campo. O produtor precisa observar não só a lâmina de água, mas também o comportamento das plantas, o clima previsto e o risco de estresses que possam comprometer o enchimento.