CI

Peptídeos avançam contra Salmonella como alternativa para segurança alimentar

Resultados obtidos não se limitaram ao controle de microrganismos vivos


Foto: Divulgação

Uma plataforma brasileira de peptídeos contra Salmonella apresentou, em testes laboratoriais, início de controle dos microrganismos em aproximadamente duas horas e capacidade de impedir novas colônias por mais de quatro dias. Desenvolvida pela HYH Biotechnology, a tecnologia é voltada à segurança microbiológica da indústria de alimentos e poderá, após novas etapas de validação, ser aplicada em frigoríficos, incubatórios, aviários, laticínios e unidades de processamento de ovos.

O desempenho contra a Salmonella está entre os principais pontos da tecnologia porque a bactéria é um dos agentes associados às doenças transmitidas por alimentos. A proposta da empresa é utilizar peptídeos antimicrobianos desenvolvidos por engenharia molecular para criar soluções capazes de atuar em diferentes pontos da cadeia produtiva.

Os resultados obtidos até agora não se limitaram ao controle de microrganismos livres. Nos ensaios conduzidos em laboratório, os peptídeos também promoveram cerca de 95% de degradação de biofilmes.

Os biofilmes são estruturas formadas por microrganismos que permanecem aderidos a superfícies e equipamentos. Essa característica pode dificultar os processos convencionais de higienização e aumentar os desafios enfrentados pela indústria para manter o controle microbiológico dos ambientes de produção.

Além da Salmonella, a plataforma foi desenvolvida para combater outros microrganismos de interesse do setor alimentício. Entre os organismos avaliados estão Escherichia coli, frequentemente relacionada a surtos alimentares, e Listeria monocytogenes, bactéria de preocupação para alimentos prontos para consumo. A tecnologia também apresenta atuação direcionada a bactérias e fungos relevantes para a indústria.

A base da inovação está em moléculas inspiradas nos mecanismos naturais de defesa dos organismos vivos. Para chegar aos peptídeos utilizados nos testes, o projeto reuniu aproximadamente quatro anos de pesquisas em bioinformática, modelagem computacional, engenharia de peptídeos e validação experimental.

A estratégia adotada pela HYH Biotechnology difere de uma abordagem concentrada em apenas uma molécula antimicrobiana. A empresa desenvolveu uma plataforma formada por diferentes peptídeos planejados racionalmente, o que abre a possibilidade de formular soluções específicas conforme a necessidade de cada aplicação industrial.

Segundo a pesquisadora e cofundadora da HYH Biotechnology, Renata Rosa, o desenvolvimento foi direcionado desde o início a problemas encontrados no setor produtivo. "Nosso objetivo sempre foi desenvolver uma tecnologia capaz de resolver desafios reais da indústria. Para além de produzir conhecimento científico, buscamos criar soluções que possam ser transformadas em produtos para aumentar a segurança microbiológica dos alimentos e contribuir para uma produção mais eficiente e sustentável."

A expectativa é que a utilização dos peptídeos possa ajudar a indústria a fortalecer procedimentos de higienização e reduzir riscos de contaminação cruzada. A tecnologia também poderá contribuir para diminuir perdas relacionadas a contaminações microbiológicas e auxiliar empresas no atendimento às exigências dos mercados brasileiro e internacional.

As possibilidades de uso envolvem diferentes elos da produção de proteína animal e da indústria alimentícia. Frigoríficos, incubatórios, aviários, processamento de ovos e laticínios estão entre as áreas indicadas para futuras aplicações da plataforma.

A chegada de novas ferramentas de controle microbiológico ocorre em um setor no qual uma contaminação pode ultrapassar o problema sanitário e provocar impactos comerciais e financeiros. Estudo da Food Marketing Institute e da antiga Grocery Manufacturers Association citado no material aponta que o custo direto médio de um único recall pode alcançar US$ 10 milhões. O cálculo não inclui danos à reputação das empresas nem efeitos sobre a confiança dos consumidores.

Para a HYH Biotechnology, a proposta é transformar a plataforma em uma base para diferentes produtos de biossegurança, e não restringir o desenvolvimento a uma única solução. A tecnologia é protegida por patente, característica que, segundo o material, permite a criação de produtos exclusivos para segmentos distintos da indústria.

"Quando falamos em segurança alimentar, estamos falando de proteger consumidores, preservar a reputação das empresas e evitar prejuízos que podem comprometer toda uma cadeia produtiva", afirma Renata.

Com o avanço das validações industriais, a aplicação de peptídeos contra Salmonella poderá ganhar espaço em diferentes processos da produção de alimentos. Para a pesquisadora, o desenvolvimento também pode representar uma nova frente tecnológica para enfrentar problemas microbiológicos cada vez mais complexos.

 

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7