Donos de 29 hectares em Tapira, no Noroeste do Paraná, Vitorino Colombo e seu irmão, Henrique Jacinto Colombo, juntamente com a mãe, Palmira, fazem muitos planos para a propriedade, mas a transformação vem ocorrendo aos poucos e com muito trabalho.
Eles são produtores de leite há 12 anos. Há seis anos e meio, trocaram a antiga propriedade que tinham de 24 hectares, isolada no meio de grandes propriedades, por esta. Foi um período difícil. Na área não havia nada, a não ser pasto. Dividindo o tempo entre cuidar dos animais que possuía e construir desde a mangueira e a garagem, até as três casas onde mora, a família Colombo trabalhou duro e só contratou um pedreiro para ajudar e orientar na construção porque eles não entendiam muito do assunto.
Todo serviço na propriedade é executado por eles, que até hoje ainda mantêm a rotina de trabalhar das seis horas da manhã até enquanto houver claridade. "Apesar de todo trabalho que tem, Vitorino ainda encontra tempo para coordenar a associação de produtores da região onde mora", elogia José Xavier de Azevedo Filho, produtor e secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Tapira. Com a morte do pai e a divisão dos bens entre todos os irmãos, os dois, que decidiram ficar na propriedade, venderam todas as vacas holandesas que tinham para dar a parte dos irmãos. Sem a principal fonte de recursos, plantaram hortaliças, trabalharam para fora como tratoristas, fizeram de tudo para sobreviver e juntar algum dinheiro.
Diversificação
Com as economias, mais o financiamento, começaram a "formar" a propriedade há cinco anos. O primeiro plantio foi o de café em espaçamento de dois metros e meio por sessenta centímetros. Atualmente são 10 mil pés, ocupando um hectare e meio, todos em produção.
Em meio ao café, num espaçamento de oito por cinco metros, há quatro anos começaram também a plantar coco anão. Já existem um pouco mais de 100 pés plantados, mas a família quer chegar a 500 pés, consorciando ainda as culturas com a pupunha.
Há oito meses compraram algumas vacas mistas e voltaram a trabalhar com a produção de leite. "Esta é uma boa opção para a pequena propriedade. Dá uma boa renda mensal e ainda tem o bezerro", diz Vitorino. Do leite vem a renda para a família e das outras atividades, os recursos para investimentos.
Hoje, os produtores estão com 28 vacas em lactação em média e mais 35 entre novilhas e vacas secas. A produtividade não é muito alta como antigamente, são cinco litros de leite por vaca, totalizando 150 litros por dia. "Nós já chegamos a ter vacas produzindo 23 litros de média, tirando 400 litros de leite por dia", conta Cleuza, esposa de Vitorino.
O plano da família é, através da inseminação artificial, ir melhorando o rebanho aos poucos, trocando o gado comum por Simental ou Pardo Suíço. "Queremos trabalhar com vacas de dupla aptidão: leite e carne porque daí dá para aproveitar o macho para a produção de carne e a fêmea para a produção de leite. Nosso objetivo é ter 40 vacas em média em lactação e aumentar a produção para oito ou dez litros de leite por vaca".