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Perdas de R$ 660 milhões

Cifras refletem prejuízos registrados tanto no mercado interno como sobre as exportações de MT


As perdas dos produtores mato-grossenses, a cada safra, chegam a cerca de R$ 660 milhões por conta dos subsídios concedidos pelo governo dos Estados Unidos aos produtores de algodão. Os números foram divulgados nessa terça-feira (01-09) pelo presidente da Cooperativa de Produtores de Algodão de Primavera do Leste (Unicotton) e conselheiro da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), João Luiz Ribas Pessa, um dia após a Organização Mundial do Comércio autorizar o governo brasileiro a adotar medidas de retaliação comercial contra os EUA, em razão dos subsídios concedidos pelo governo norte-americano.

A decisão anunciada em Genebra, na última segunda-feira, pôs fim a uma batalha que o Itamaraty e os cotonicultores travavam há sete anos. Durante o período, o Brasil obteve vitórias que nunca foram reconhecidas pelos norte-americanos.

Em relatório divulgado na segunda-feira, a OMC confirmou decisão anterior em que reconhecia que o governo norte-americano não suspendeu o apoio financeiro concedido a seus produtores de algodão, ocasionando mais perdas aos agricultores brasileiros. Agora, o órgão de apelação da OMC concluiu que os programas de subsídios domésticos continuam causando prejuízo grave ao Brasil, pois levam à produção artificial de excedentes e, assim, derrubam os preços internacionais do algodão ou impedem sua alta.

“A decisão da OMC é um reconhecimento de que a política de concessão de subsídios está errada e precisa ser revista. Os produtores mato-grossenses não podem ser penalizados por este tipo de protecionismo, especialmente no momento em que enfrentam problemas internos, como falta de logística, baixos preços e custos elevados”, argumentou Pessa.

Segundo ele, a ação na OMC foi promovida pelos cotonicultores por meio da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão). “Mostramos que os produtores estão sofrendo uma pressão muito forte com preços baixos em função de subsídios. Agora chegou a hora de compensar estas perdas”.

Em um cálculo sobre o montante dos prejuízos aos produtores brasileiros, Pessa chegou à conclusão de que só com exportações – cerca de 600 mil toneladas de algodão em pluma - as perdas chegam a US$ 0,20 por libra peso, ou R$ 0,44 por quilo, totalizando a cifra de US$ 220 milhões por ano, R$ 418 milhões. “Se levarmos em conta os prejuízos no mercado interno decorrentes dos preços internacionais, o montante salta para US$ 704 milhões, R$ 1,33 bilhão”.

No caso de Mato Grosso, as perdas com exportações causadas pela concessão dos subsídios norte-americanos é de US$ 110 milhões por safra (R$ 209 milhões). Considerando a comercialização da safra no mercado interno, os números saltam para US$ 350 milhões, ou cerca de R$ 660 milhões.

COMPENSAÇÃO - Na avaliação do presidente da Unicotton, os produtores não devem estar preocupados em saber de que forma serão impostas as retaliações pelo governo brasileiro, mas sim, que medidas serão adotadas para compensar os prejuízos dos produtores. “Precisamos saber como os produtores serão ressarcidos”.

Para Pessa, não adianta adotar medidas de retaliação na área de computador ou software, por exemplo, “pois a medida beneficia outros segmentos. Queremos algo de represente uma compensação direta para quem sofreu os danos”.

Uma das alternativas, segundo ele, seria o governo suspender o pagamento de royalties sobre insumos - sementes, milho, transgênicos e agroquímicos importados dos Estados Unidos. “Com isso, os produtores mato-grossenses seriam, de alguma forma, compensados com a redução dos custos de produção e as empresas norte-americanas que fornecem esses insumos iriam cobrar do governo daquele país a suspensão dos subsídios”.

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