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Período chuvoso exige atenção redobrada à adubação do café

Café mais produtivo começa com adubação bem ajustada


Foto: Pixabay

O crescimento vegetativo do café ganha força com o período chuvoso, quando o cafeeiro amplia ramos, folhas e raízes e inicia o desenvolvimento dos frutos. Nesse momento, o ajuste da adubação é decisivo para evitar tanto o excesso de vegetação quanto deficiências nutricionais que podem comprometer a produtividade. O manejo deve considerar solo, clima, histórico da lavoura e meta de produção.

Nas principais regiões produtoras brasileiras, incluindo áreas de Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo, as chuvas coincidem com uma fase de intensa atividade vegetativa do cafeeiro. Após o início das precipitações e a florada, a planta retoma a atividade radicular, emite novos ramos e folhas e inicia o pegamento e o enchimento dos frutos. Com isso, aumenta a demanda por nitrogênio (N), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S) e micronutrientes. O período também exige atenção às perdas de nutrientes. Chuvas intensas podem favorecer a lixiviação de N e K, principalmente em solos arenosos.

Segundo referências técnicas apresentadas no material, doses concentradas, parcelamento inadequado e escolha incorreta de fontes e épocas de aplicação podem provocar crescimento vegetativo excessivo, crescimento fraco e sintomas de deficiência nutricional. O desequilíbrio também pode aumentar o risco de doenças, especialmente quando o excesso de vegetação resulta em dosséis mais fechados e úmidos.

O crescimento vegetativo envolve a emissão e o alongamento dos ramos, a formação e renovação das folhas e o desenvolvimento do sistema radicular. Os ramos ortotrópicos, responsáveis pela haste principal, e os plagiotrópicos, que formam os ramos laterais produtivos, apresentam maior crescimento quando encontram água, temperatura e nutrientes em condições adequadas.

O comprimento e o número de nós dos ramos plagiotrópicos influenciam a quantidade de nós frutíferos e, consequentemente, o potencial produtivo das safras seguintes.

As folhas, por sua vez, são responsáveis pela produção de fotoassimilados. Um dossel bem nutrido favorece a fotossíntese, o enchimento dos frutos e a formação de reservas para a próxima safra. Já raízes ativas e profundas ampliam a capacidade de exploração de água e nutrientes no perfil do solo. A disponibilidade equilibrada de cálcio e fósforo, associada à matéria orgânica e ao manejo adequado das condições físicas do solo, favorece o desenvolvimento radicular.

O nitrogênio estimula a formação de ramos e folhas e participa da síntese de proteínas e clorofila. Em excesso, porém, pode provocar vegetação muito vigorosa e aumentar a suscetibilidade a pragas e doenças. Em deficiência, provoca amarelecimento e ramos curtos.

O fósforo está relacionado ao desenvolvimento das raízes e ao metabolismo energético, além de participar dos processos ligados à formação de flores e frutos. Sua disponibilidade não sofre influência imediata das chuvas na mesma intensidade que outros nutrientes, mas o posicionamento e a correção prévia do solo são importantes.

O potássio participa da regulação dos estômatos, do transporte de açúcares e da resistência ao estresse hídrico e a doenças. Também tem papel importante no enchimento dos frutos e na manutenção da turgescência das folhas. Cálcio e magnésio contribuem, respectivamente, para a integridade das paredes celulares e para a formação da clorofila e a fotossíntese. O manejo desses nutrientes ocorre principalmente por meio de calagem e gessagem.

O enxofre participa da formação de proteínas e do equilíbrio nutricional com o nitrogênio. Em solos submetidos a maior lixiviação, pode haver deficiência durante o período chuvoso. Micronutrientes como boro, zinco, cobre, manganês e ferro atuam em enzimas, no crescimento dos meristemas, no florescimento e no pegamento dos frutos. A complementação pode ocorrer por meio de adubação no solo ou foliar.

Uma adubação mal ajustada durante a fase de maior crescimento vegetativo pode reduzir a formação de ramos produtivos. Ramos curtos e com poucos nós diminuem a capacidade de carga de frutos no ciclo seguinte. O excesso de vegetação também pode provocar desequilíbrio entre fonte e dreno. Nessa condição, plantas muito vegetativas podem competir com os frutos em desenvolvimento, favorecendo a formação de grãos menores ou chochos.

O problema pode contribuir ainda para o aumento da bienalidade. Um ano de elevada carga em plantas com nutrição inadequada pode ser seguido por uma queda expressiva de produção, em razão do esgotamento das reservas. Outro efeito é econômico. Fertilizantes perdidos por lixiviação, volatilização ou imobilização elevam o custo por unidade produzida sem necessariamente resultar em ganho de produtividade.

A definição de quando e quanto adubar não deve seguir uma receita única. Segundo as referências técnicas apresentadas no material, a decisão precisa partir de diagnóstico da lavoura. A análise de solo deve ser atualizada periodicamente, em geral a cada dois anos ou conforme a recomendação regional. Entre os parâmetros avaliados estão P, K, Ca, Mg, S, matéria orgânica, pH e capacidade de troca de cátions.

A análise foliar complementa esse diagnóstico ao permitir verificar se a absorção dos nutrientes está adequada. Para isso, as amostras devem ser coletadas em folhas padrão e no período indicado para a cultura. O histórico da lavoura e a meta de produção também entram na decisão. Lavouras jovens exigem atenção à formação equilibrada da estrutura, enquanto lavouras adultas com elevada carga demandam maior cuidado com o balanço entre crescimento vegetativo e reprodutivo.

A textura do solo é outro fator determinante. Em solos arenosos, o risco de lixiviação de N e K é maior, o que exige atenção especial ao parcelamento e ao momento das aplicações em relação às chuvas. Em solos argilosos, a retenção de nutrientes tende a ser maior, mas o produtor precisa observar riscos relacionados à compactação e ao encharcamento superficial.

Regiões onde as chuvas ficam concentradas em poucos meses também exigem planejamento mais preciso dos parcelamentos. A partir desses fatores, o técnico determina a necessidade anual de nutrientes e distribui as aplicações ao longo do período chuvoso, considerando a idade da lavoura, o estado nutricional e o calendário de operações.

No início do período chuvoso e após a florada, normalmente entre setembro e novembro, o cafeeiro retoma de forma mais intensa o crescimento vegetativo. A fase é marcada pela emissão de novas brotações e pelo pegamento das flores e frutos. Nesse momento, o manejo pode contemplar parcelas de N e K para sustentar a brotação e o início do desenvolvimento dos frutos. Ajustes de P podem ser realizados quando recomendados, especialmente em solos com baixa disponibilidade.

Em lavouras em formação, a atenção tende a ser maior para N e K, nutrientes importantes para a construção da copa. Entre novembro e fevereiro, durante o período chuvoso pleno, ocorre uma das fases de maior consumo de N e K, com forte crescimento de ramos, folhas e frutos.

Segundo as referências técnicas apresentadas, o parcelamento desses nutrientes em mais de uma aplicação ajuda a evitar grandes concentrações de fertilizante antes de chuvas intensas, especialmente em solos sujeitos à lixiviação. Entre março e maio, com a redução do crescimento vegetativo e o avanço da maturação dos frutos, o manejo deve evitar estímulos excessivos a brotações tardias.

O suprimento adequado de K continua importante para o enchimento final dos grãos e a qualidade da bebida. Correções de solo, como calagem e gessagem, podem ser planejadas para períodos de menor chuva quando houver indicação técnica. De junho a agosto, período de menor crescimento vegetativo em muitas regiões, a atenção se volta à avaliação nutricional, à produtividade alcançada e às condições dos ramos após a colheita.

Nesse intervalo, o produtor também pode planejar a adubação do próximo período chuvoso e realizar tratos culturais, como poda, desbrota, roçadas e manejo da matocompetição. Os meses apresentados são referências de um calendário típico. O período efetivo de chuvas, seca, florada e colheita varia conforme altitude, latitude, clima e sistema de cultivo.

Dividir a quantidade anual de N e K em várias aplicações durante o período chuvoso pode aumentar a eficiência de uso dos nutrientes, principalmente em solos com maior risco de lixiviação. O número de parcelamentos deve considerar textura do solo, idade das plantas, sistema de cultivo e logística da propriedade. O posicionamento também é importante. A aplicação deve ser concentrada na faixa de maior presença de raízes ativas, normalmente na projeção da saia do cafeeiro.

Em sistemas conservacionistas, com cobertura vegetal ou palhada, a distribuição do fertilizante precisa ser ajustada para garantir contato adequado com o solo úmido. A utilização de fontes orgânicas e resíduos agrícolas bem manejados também pode contribuir para melhorar a estrutura do solo, ampliar a retenção de água e liberar nutrientes de forma mais gradual.

O monitoramento visual permite identificar alterações no desenvolvimento das plantas. Cor das folhas, comprimento dos ramos, emissão de brotações e uniformidade da lavoura são indicadores úteis para detectar problemas localizados.

Quando sintomas de deficiência são confirmados por diagnóstico, o manejo pode ser ajustado, inclusive com alterações no parcelamento ou complementações específicas, como aplicações foliares de micronutrientes. A adubação também precisa estar integrada a outras práticas. Calagem e gessagem devem ser realizadas conforme a análise de solo e em épocas adequadas, contribuindo para o ambiente radicular e a disponibilidade de Ca e Mg.

O manejo de poda e desbrota influencia o equilíbrio vegetativo e a distribuição de fotoassimilados. Em lavouras recém-podadas, o manejo nutricional deve considerar a necessidade de rebrota e formação de nova estrutura produtiva. O controle de plantas daninhas é igualmente importante, já que a competição por água e nutrientes aumenta durante o período chuvoso. O manejo de pragas e doenças completa a estratégia. Plantas bem nutridas e com crescimento equilibrado tendem a apresentar maior resiliência, mas o aumento da área foliar durante as chuvas também pode favorecer determinados patógenos.

Toda adubação deve seguir as recomendações de uso dos rótulos dos fertilizantes e dos boletins técnicos oficiais. O acompanhamento de um engenheiro agrônomo é indispensável para interpretar as análises de solo e folha e dimensionar as aplicações conforme as condições específicas da lavoura. No manuseio e na aplicação dos fertilizantes, também devem ser utilizados equipamentos de proteção individual adequados, conforme as orientações de segurança do fabricante. O planejamento nutricional deve considerar ainda práticas de conservação do solo e da água para reduzir perdas de nutrientes ao ambiente.

As referências utilizadas no material incluem trabalhos de Matiello et al., Reis e Cunha, Ronchi e Souza, além de publicações da Embrapa Café e estudos de Favarin et al., relacionados à produção, nutrição e fisiologia do cafeeiro.

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