Pesquisa abre caminho para uso agrícola de silicatos
Os estudos também apontam benefícios relacionados ao desenvolvimento radicular
Os estudos também apontam benefícios relacionados ao desenvolvimento radicular - Foto: Canva
O uso agrícola de silicatos de Cálcio e Magnésio no Brasil começou a ganhar respaldo científico no fim dos anos 1990, a partir de estudos voltados à composição, segurança e potencial agronômico desses materiais. As pesquisas ajudaram a consolidar seu emprego como corretivos de acidez e fontes de nutrientes para as plantas.
Na Universidade Federal de Viçosa, trabalhos conduzidos desde 1998 avaliaram materiais provenientes da indústria siderúrgica, com atenção à qualidade, à presença de possíveis contaminantes e à eficiência no campo. O avanço das pesquisas contribuiu para a liberação do Agrosilício em 2002.
Composto principalmente por silicatos de cálcio e magnésio, o material atua na correção química do solo e fornece cálcio, magnésio e silício. Segundo o professor aposentado Caetano Marciano de Souza, o silício pode contribuir para maior resistência dos tecidos vegetais e favorecer respostas das plantas a pragas, doenças e períodos de déficit hídrico.
“Quando existe um uso tecnicamente adequado e o material atende às condições ambientais e sanitárias necessárias, ele deixa de ser simplesmente algo destinado ao descarte e passa a ter uma nova função”, afirma o professor.
Os estudos também apontam benefícios relacionados ao desenvolvimento radicular, ao melhor aproveitamento de nutrientes e à maior resiliência das lavouras. A utilização agrícola desses materiais representa ainda uma forma de reinserir componentes da indústria no sistema produtivo, desde que atendidos os requisitos de qualidade, segurança ambiental e sanitária. “A cada dia nós continuamos encontrando novas possibilidades. Os efeitos mais evidentes já foram bastante estudados, mas ainda há espaço para ampliar esse conhecimento e entender outros benefícios”, conclui.