Pesquisa apresenta soja tolerante ao percevejo
Além das duas cultivares já existentes chegam ao mercado outras duas
Foto: Marcel Oliveira
Os percevejos são insetos sugadores com enorme potencial de ocasionar prejuízos em várias culturas como soja, milho, trigo, entre outras. Embora estejam presentes desde o período vegetativo das culturas, é no período reprodutivo que ocorrem os maiores prejuízos e podem impactar também a armazenagem dos grãos. Um percevejo, por metro quadrado, acarreta uma redução de 49 a 120 kg de grãos. Essa variação depende da espécie de percevejo, do clima, fase da cultura, da cultivar e de sua produtividade.
Uma tecnologia da Embrapa apresenta a soja tolerante ao inseto. Chamada de Block, a ferramenta confere maior tolerância aos percevejos, o que minimiza a ação destrutiva da praga. Ela não dispensa o uso de inseticidas, mas permite uma melhor convivência com os insetos no campo. A adoção de cultivares tolerantes agrega força ao Manejo Integrado de Pragas (MIP-Soja).
O pesquisador da Embrapa Soja, Marcos Rafael Petek, explica que a tecnologia suporta o dobro dos ataques da praga sem reduzir a produtividade. “A resistência genética da própria soja foi selecionada por melhoramento e traz maior tranquilidade ao produtor, principalmente em épocas de descontrole do percevejo, como em períodos de muita chuva onde não é possível pulverizar. E o produtor não paga a mais pela tecnologia. Ela já está embutida nas cultivares”, destaca.
A tecnologia está associada às diferentes plataformas de cultivares de soja da Embrapa: convencional, RR e IPRO, com quatro cultivares disponíveis no sistema, sendo duas lançadas no ano passado e duas neste ano. “No caso da BRS 1003IPRO também há tolerância às lagartas e ao glifosato e tem ampla adaptação pelas regiões. A BRS 543RR é importante para o refúgio e recomendação também para várias regiões. Ambas têm ciclo precoce e ajudam contra os percevejos”, explica o pesquisador.
As novas cultivares da tecnologia Block que chegam ao mercado são as convencionais BRS 523 e BRS 539. A primeira é uma cultivar precoce e validada também no sistema orgânico. Já a segunda também é precoce e além da tolerância ao percevejo também tem resistência a Ferrugem Asiática.