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Pesquisa constata elevados teores de cádmio em fertilizantes

Os pesquisadores observaram que os teores de cádmio nos fertilizantes fosfatados diferiram significativamente, situando-se entre 0,67 e 42,93mg kg-1


O cádmio é tóxico ao homem, aos animais e às plantas. Os fertilizantes fosfatados contém cádmio, em concentrações variáveis, dependendo da rocha da qual foram obtidos. Como são utilizadas intensamente na agricultura, adubações fosfatadas sucessivas podem acarretar acúmulo desse elemento no solo, causando impactos ao ambiente devido a sua alta toxicidade. Nesse sentido, Veridiana Bizarro e equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul resolveram quantificar o teor de cádmio presente em amostras de 19 fertilizantes fosfatados comercializados no Brasil.

De acordo com artigo publicado na edição de janeiro/fevereiro de 2008 dos Cadernos de Saúde Pública, “os fertilizantes fosfatados são usados na agricultura, pois o fósforo freqüentemente limita a produtividade das culturas nas condições brasileiras. Além disso, em agroecossistemas, há perda constante deste nutriente pela exportação de alimentos e fibras, sendo necessária sua reposição via adubação. As principais fontes de fósforo usadas na agricultura são os superfosfatos, os amoniofosfatos, os fosfatos parcialmente acidulados e os fosfatos naturais. A matéria-prima para a obtenção desses produtos são as rochas fosfatadas, que apresentam em sua composição, além do fósforo, diversos contaminantes, dentre eles o cádmio (Cd), em variadas concentrações”.
No trabalho, os pesquisadores observaram que os teores de cádmio nos fertilizantes fosfatados diferiram significativamente, situando-se entre 0,67 e 42,93mg kg-1. “Os teores mais elevados foram encontrados nas amostras do fosfato natural FN3 importado de Marrocos (42,6mg kg-1), do fosfato monoamoniado MP4 importado de Marrocos (31,0mg kg-1), do fosfato natural FN4 de Israel (30,9mg kg-1), do superfosfato triplo nacional ST2 de Uberaba (25,9mg kg-1), do fosfato monoamoniado MP3 importado de Marrocos (25,0mg kg-1), do fosfato natural FN5 de Marrocos (21,8mg kg-1) e do superfosfato simples nacional SS2 de Uberaba (12,3mg kg-1). Os teores do elemento nas demais amostras não diferiram significativamente entre si e foram menores do que 3mg Cd kg-1, em ambos os métodos”, afirmam no artigo.

Segundo os especialistas, esses resultados devem servir de alerta para os agricultores e para o Ministério da Agricultura, uma vez que a determinação das concentrações de cádmio nos fertilizantes e métodos adequados de extração são importantes para monitorar riscos de contaminação e poluição no ambiente e prevenir ou reduzir a entrada desse contaminante na cadeia alimentar. “Internacionalmente, não existe uma orientação uniforme para estabelecer limites toleráveis do Cd em fertilizantes. Enquanto o Japão aceita no máximo 8mg de Cd para os fertilizantes fosfatados, na Austrália o valor é de 300mg kg-1. No Brasil, ainda não existe uma legislação que regulamente os teores de metais pesados admissíveis em fertilizantes. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa, 2005) fez uma proposta, submetendo-a à consulta pública, propondo que o limite máximo de Cd em fertilizantes minerais que contenham fósforo não exceda a 0,75mg kg-1 por ponto percentual (%) de P2O5 presente no fertilizante calculado sobre o maior teor de P2O5 garantido ou declarado”, explicam no artigo.
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