Pesquisa identifica oito vírus inéditos em fungo fitopatogênico
Veja como descoberta pode ajudar a agricultura
Foto: Pixabay
Uma comunidade viral foi descoberta dentro de um fungo fitopatogênico que infecta espécies da família das Brassicáceas. O estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Fitopatologia do INTA (IPAVE) identificou oito vírus até então desconhecidos em Thecaphora thlaspeos, ampliando o conhecimento sobre a interação entre fungos e vírus e abrindo possibilidades para futuras estratégias de controle biológico.
Os fungos podem não apenas infectar plantas e causar doenças, mas também abrigar comunidades complexas de vírus capazes de influenciar características de seus hospedeiros. Foi essa relação que os pesquisadores identificaram ao analisar o T. thlaspeos, fungo que afeta espécies agronomicamente importantes da família das Brassicáceas. “Esta descoberta é particularmente relevante porque as espécies do gênero Thecaphora incluem patógenos de importância agrícola. Entre eles está Thecaphora frezii, responsável pelo carvão do amendoim, uma das doenças que mais preocupa os produtores de amendoim”, observou Andres Jacquat, pesquisador de pós-doutorado da UFyMA, IPAVE, INTA – CONICET.
Apesar da importância agrícola do gênero, a biologia desse grupo de fungos ainda é menos compreendida do que a de outros patógenos amplamente estudados.
Segundo Jacquat, os vírus identificados pertencem ao grupo dos micovírus, que são vírus capazes de se replicar dentro de fungos. “Embora muitas vezes passem despercebidos, diversos estudos demonstraram que eles podem modificar características essenciais de seus hospedeiros, como taxa de crescimento, capacidade reprodutiva ou mesmo sua agressividade na causa de doenças em plantas”, afirmou.
A descoberta foi possível a partir de uma abordagem que aproveitou dados já disponíveis. Os pesquisadores reexaminaram informações de sequenciamento genético armazenadas em bancos de dados públicos e encontraram evidências conclusivas da presença de uma comunidade viral associada ao fungo.
A análise mostrou ainda que diferentes cepas de T. thlaspeos apresentam combinações distintas de vírus. O resultado sugere a existência de um “micoviroma” específico para cada linhagem ou população fúngica. O termo se refere ao conjunto de vírus associados a um hospedeiro fúngico específico ou a uma comunidade determinada de fungos.
A identificação dos oito vírus amplia o conhecimento sobre as interações entre fungos e vírus, área que ainda apresenta diversas questões sem resposta. Entender como essas comunidades virais interferem na biologia dos fungos pode ajudar a explicar diferenças no comportamento desses organismos e na capacidade de provocar doenças em plantas.
A descoberta também pode ter implicações para a agricultura. Como os vírus podem alterar características dos fungos hospedeiros, o conhecimento dessas relações pode contribuir futuramente para a busca de ferramentas de controle biológico. Os resultados, portanto, abrem uma nova frente de investigação sobre o uso dessas interações em estratégias mais sustentáveis de manejo de doenças agrícolas.