Pesquisadores analisam frutos de oito espécies nativas de butiá
Análise de frutos de butiá no RS investiga rendimento e conservação das espécies
Foto: Fernando Dias, Seapdr
Pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) finalizam, após três meses de trabalho, as etapas de coleta e processamento de butiás colhidos a campo. Depois da coleta, realizada em diferentes regiões do Estado, ocorre o processamento no Laboratório de Tecnologia de Sementes do DDPA, em Porto Alegre, onde os frutos são pesados, medidos e despolpados, para avaliar a produção e rendimento de polpa.
O pesquisador Gilson Schlindwein, do DDPA, destaca que, com os resultados obtidos nessas etapas, pretende-se dar continuidade às ações de conservação e prospecção de recursos genéticos do butiazeiro, considerando as demandas existentes para cada uma das espécies do gênero Butiá que ocorrem no Rio Grande do Sul, promovendo assim o uso sustentável desses recursos.
"A partir das sementes obtidas de cada planta previamente identificada e georreferenciada no campo, e posteriormente caracterizada no Laboratório de Tecnologia de Sementes (DDPA/SEAPI), se busca aprimorar os métodos para acelerar a germinação, visando à produção de mudas", afirma Schlindwein. Estas mudas serão utilizadas para implantação de pomares com plantas com produção e qualidade dos frutos conhecidos, além do repovoamento de áreas naturais, especialmente das espécies mais ameaçadas.
Depois do processamento em laboratório, a próxima etapa é o congelamento de amostras para análise química, realizado pelo Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos (ICTA), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). A análise avalia além de aspectos básicos como Sólidos Solúveis Totais (doçura), pH e acidez, também as propriedades funcionais com antioxidantes e vitaminas. Os resultados devem sair até o final do ano.
A coleta
As ações do projeto "Integrando conservação e geração de renda através do manejo, cultivo e valorização econômica em áreas com butiazeiros nativos do RS" começaram há três meses, com atividades de coleta de oito espécies de butiazeiros nativas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Foram coletadas as espécies Butia odorata em Arambaré, Barão do Triunfo, Santa Maria e Viamão; Butia catarinensis em Torres e Osório; Butia exilata em Sarandi; Butia lallemanthii em São Francisco de Assis e Manoel Viana; Butia paraguayensis em Maçambará; Butia yatay em Cruz Alta, Ijuí e Quaraí; e Butia witeckii em Júlio de Castilhos. Ainda neste mês serão coletados frutos do Butia eriospatha, em Bom Jesus, para finalizar o trabalho.
O projeto, que tem vigência de três anos, está encerrando o primeiro ano e conta com recursos financeiros da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), oriundas do processo de Reposição Florestal Obrigatória - RFO (Sema/RS).