Pêssego tem queda no preço no RS
Este ano, além da queda no preço, o excesso de chuva influenciou a produção da fruta e a safra deve ser menor
Douglas cultiva pêssego em Pelotas. Ele contabiliza perdas de 35% na produção. As fortes geadas que atingiram as plantas em agosto e as constantes chuvas que duraram até o fim de novembro geraram frutos pequenos e de baixa qualidade em algumas variedades.
“A força que a gente coloca nas plantas, do adubo, aquilo foi escoado muito e agora, na época em que a gente colhe, não tem mais como colocar o adubo e aí a gente tem perdas no tamanho, na qualidade, o sabor dela também ficou menor, não tem qualidade e a cor dela também não ajudou muito”, lamenta Douglas Mackedanz, agricultor.
Já o pêssego granada e o esmeralda se adaptaram melhor às variações do clima e foram os que salvaram a safra.
A região sul do estado é a maior produtora de pêssego em conserva do Brasil, chega a cerca de 60 milhões de quilos por safra, mas este ano a colheita deve atingir 45 milhões.
Além do clima não estar colaborando, o preço também não está cobrindo os custos. Segundo os produtores, o pedido da indústria para aumentar o tamanho das fruta foi aceito, mas os valores continuam os mesmos da safra passada.
De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Pêssego do Rio Grande do Sul, em 2008 a indústria pagava 60 centavos pelo fruto que atingisse 57 milímetros. Este ano, mesmo para o pêssego que mede 60 milímetros, o agricultor recebe os mesmos 60 centavos e as frutas de 57 milímetros tiveram redução no valor, para 40 centavos. O mesmo que é pago para o pêssego pequeno, do tipo 2.
“Além dele não estar satisfeito no ano passado, com a safra passada, com o preço que era. Agora este ano aumentou o calibre, tanto do pêssego do tipo 1 como do tipo 2 também, e ainda por cima a indústria ainda nos tirou o frete, que o pêssego tem que ser posto na indústria”, explica Dari Bosembecker, presidente da Associação dos Produtores Rurais – RS.
Com a queda do preço, muitos produtores diminuíram a mão de obra e não conseguiram contratar funcionários para a colheita. Agora o trabalho é dividido entre a família.
“No ano de 98, o pêssego custava R$ 0,70, eu recebia pelo quilo do pêssego, e o empregado custava R$ 5 por dia. Hoje eu pago para este mesmo funcionário R$ 35 e vendo o pêssego a R$ 0,40 centavos o quilo”, diz Dari.
O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro de pêssego. Sozinho, o estado responde por mais de 50% de toda a safra.