Petróleo em queda pressiona grãos e fertilizantes
As condições climáticas seguem aumentando os riscos
As condições climáticas seguem aumentando os riscos - Foto: Pixabay
A redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã provocaram uma reação imediata nos mercados internacionais, com reflexos sobre os preços da energia, dos grãos e dos fertilizantes. Segundo análise do Rabobank, a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países abriu um período de dois meses para negociações de um acordo definitivo, estabelecendo um roteiro com 14 pontos para encerrar as hostilidades e normalizar gradualmente a navegação pelo Estreito de Ormuz.
Com o anúncio, os preços do petróleo ampliaram as perdas registradas antes mesmo da divulgação do acordo. O Brent passou a ser negociado abaixo de US$ 74 por barril, movimento que também pressionou os mercados agrícolas. O índice Bloomberg Grains Subindex caiu ao menor nível desde fevereiro, acompanhando a desvalorização do petróleo.
A queda das matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes, aliada ao aumento dos embarques pelo Estreito de Ormuz, também contribuiu para reduzir os preços dos nitrogenados. Em diversos mercados, a ureia atingiu os menores valores do ano, diminuindo as preocupações com uma possível redução significativa da área global de plantio.
Apesar da reação positiva dos mercados, o memorando ainda mantém pontos importantes de divergência entre as partes. A avaliação do estrategista global do Rabobank é de que um retorno das hostilidades continua sendo provável, possivelmente após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
Enquanto o cenário geopolítico dá sinais de alívio, as condições climáticas seguem aumentando os riscos para a produção agrícola. Grande parte da Europa enfrenta uma intensa onda de calor, com temperaturas de até 40°C em regiões da França e da Espanha. Ao mesmo tempo, a atualização de junho da NOAA confirmou que o fenômeno El Niño já está ativo e poderá evoluir para um dos mais intensos já registrados até o fim de 2026.