Piscicultura avança, mas enfrenta riscos regulatórios
"O consumo continua aquecido"
"O consumo continua aquecido" - Foto: Pixabay
A piscicultura brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com consumo em alta, sustentado pela Quaresma, mas cercado por incertezas comerciais e regulatórias. A tilápia, responsável por cerca de 70% da produção aquícola nacional, permaneceu como o peixe de cultivo mais consumido no país, enquanto o tambaqui manteve espaço entre as preferências do público.
Segundo a PEIXE BR, o resultado confirma a expansão da atividade como fornecedora de proteína animal. No mercado externo, porém, a redução da tarifa para 10% não gerou o retorno esperado, e a nova alíquota de 25% deixou as negociações mais lentas. A entidade considera possível uma recuperação das exportações no segundo semestre, condicionada às decisões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O setor também acompanha a inclusão do tambaqui na lista de espécies em risco de extinção e a discussão sobre o enquadramento da tilápia como espécie exótica invasora. Na avaliação da associação, as medidas podem limitar a produção, a comercialização e os embarques.
Outro ponto de atenção é a importação de tilápia do Vietnã. A PEIXE BR afirma que subsídios concedidos naquele país permitem a entrada do produto a preços inferiores aos custos locais, além de manter preocupações sanitárias. Para os próximos meses, a expectativa é de nova alta do consumo com o aumento das temperaturas.
"O consumo continua aquecido e confirma o comportamento observado na última década para os peixes de cultivo. É um mercado que segue em expansão, mas os riscos sanitários e regulatórios também aumentaram. Para o segundo semestre, esperamos uma recuperação natural do consumo com a elevação das temperaturas e, se houver estabilidade nas questões regulatórias e comerciais, também uma retomada das exportações", conclui o presidente executivo da associação, Francisco Medeiros.