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Planejamento reduz perdas na colheita do milho

Colheita do milho exige atenção na reta final


Foto: Pixabay

A colheita do milho passou a exigir dos produtores um planejamento cada vez mais detalhado para preservar a rentabilidade da safra. Em um cenário de janelas climáticas mais curtas e instáveis em diferentes regiões produtoras, decisões como o momento de entrada das máquinas, a umidade dos grãos, a regulagem das colhedoras e os cuidados para prevenir incêndios têm impacto direto sobre os resultados da lavoura.

De acordo com Diego Braga, consultor de Desenvolvimento de Mercado da Conceito Agrícola, o principal desafio é garantir que todo o potencial produtivo desenvolvido durante o ciclo seja efetivamente convertido em grãos colhidos, armazenados e comercializados com qualidade. Segundo ele, cada decisão operacional influencia o desempenho final da safra. “A colheita do milho deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a representar uma decisão estratégica de gestão. O produtor precisa alinhar o momento de entrada das máquinas, as condições da lavoura, a capacidade operacional e a logística de transporte. Essa integração é determinante para minimizar perdas, preservar o potencial produtivo da área e garantir que o resultado obtido no campo seja efetivamente convertido em produtividade entregue”, afirma.

O monitoramento da umidade dos grãos é um dos fatores mais importantes para definir o início da colheita. Embora sinais como a formação da "linha preta", o amarelecimento natural das plantas e a consistência dos grãos indiquem a maturidade fisiológica, a decisão de iniciar a operação depende da umidade da lavoura.

Segundo Braga, a faixa considerada ideal para equilibrar o rendimento das máquinas e a qualidade do produto varia entre 13% e 15% de umidade. Quando a colheita ocorre com níveis superiores a 18%, aumentam os riscos de danos mecânicos, os custos de secagem e os problemas de qualidade caso haja atrasos no transporte. Já abaixo de 12%, os grãos ficam mais suscetíveis à quebra, geram maior volume de pó e podem reduzir o peso comercial. O consultor recomenda que o produtor utilize medidores de umidade portáteis devidamente calibrados e tome decisões específicas para cada talhão, em vez de considerar apenas a média da propriedade.

Diferenças de relevo, tipo de solo, retenção de água, uniformidade da emergência, híbridos cultivados e condições climáticas locais influenciam o ritmo de secagem dos grãos. Enquanto áreas mais baixas tendem a reter umidade por mais tempo, solos arenosos costumam acelerar o encerramento do ciclo. Diante dessa variabilidade, a recomendação é escalonar a colheita conforme as características de cada área.

A regulagem das colhedoras também é apontada como fundamental para reduzir perdas. A revisão da plataforma, a inspeção do desgaste de componentes, o ajuste das chapas e a calibração do sistema interno da máquina devem acompanhar as condições da lavoura. A velocidade de operação, segundo o especialista, deve permanecer entre 4 km/h e 6 km/h, já que velocidades maiores comprometem a separação e a limpeza dos grãos, aumentando as perdas junto à palhada. Como as condições mudam ao longo do dia, a equipe deve monitorar constantemente a operação para identificar grãos ou espigas deixados no campo. A meta é manter perdas inferiores a meia saca por hectare.

Braga ressalta que a logística após a colheita deve ser tratada como parte da operação. Segundo ele, um bom desempenho no campo pode ser comprometido por atrasos no transporte ou no descarregamento da produção. “Não adianta colher bem e deixar a qualidade se perder na caçamba. O caminhão parado, principalmente com milho mais úmido e em dias quentes, pode transformar uma boa operação em desconto na entrega”, alerta.

O período de colheita também coincide, em muitas regiões produtoras, com condições de baixa umidade relativa do ar, ventos e grande volume de palhada seca, fatores que elevam o risco de incêndios. O acúmulo de resíduos sobre partes aquecidas das máquinas, falhas elétricas, rolamentos superaquecidos, vazamentos de óleo, atrito com pedras e a falta de manutenção estão entre os principais fatores de risco.

Segundo o consultor, a prevenção deve integrar a rotina das operações. A limpeza das colhedoras a cada troca de turno, a manutenção de extintores em condições adequadas, a disponibilidade de tratores com tanque de água ou caminhões-pipa próximos às áreas de trabalho e a construção de aceiros ao redor dos talhões ajudam a reduzir o risco de propagação do fogo para áreas vizinhas.

Além dos resultados imediatos, a forma como a colheita é conduzida influencia diretamente o ciclo seguinte. A distribuição uniforme da palhada favorece o Sistema de Plantio Direto, contribui para a conservação da umidade do solo e facilita a implantação da próxima safra de soja. O controle das perdas e a eliminação do milho voluntário também ajudam a reduzir a pressão de pragas, como a cigarrinha, protegendo o potencial produtivo das próximas lavouras.

“O produtor investe durante meses para construir produtividade. Na colheita, o papel da assistência técnica é ajudar a proteger esse resultado, apoiando decisões mais precisas no campo, desde o monitoramento da umidade dos grãos e a definição do momento ideal de entrada das máquinas até o planejamento por talhão, as boas práticas de operação, a redução de perdas e a prevenção de incêndios, sempre de acordo com a realidade de cada propriedade”, conclui Braga.

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