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Planta do Frigoverdi é vendida por R$ 12 milhões no MT

Grupo paulista adquiriu planta por pouco além do lance mínimo


O grupo Quatro Marcos, com sede em São Paulo, arrematou nessa segunda-feira (31-07) a planta industrial do extinto Frigoverdi, durante um leilão realizado em Cuiabá (MT). O tão esperado rali de ofertas não ocorreu e o grupo, já com forte presença no Estado, levou a planta por R$ 12,050 milhões. De acordo com representantes dos pecuaristas, o valor arrecadado cobre cerca de 50% das dívidas preferenciais, ou seja, débitos trabalhistas e impostos estadual e federal. Dívidas de garantia e créditos quirografários ficarão descobertos.

O leilão foi aberto com um lance mínimo de R$ 12 milhões. Ninguém da sede em São Paulo quis se manifestar sobre a aquisição. O leilão faz parte do processo de liquidação das dívidas do frigorífico, que teve sua falência decretada em 2001.

O síndico da massa falida do empreendimento, Bruno Medeiros, disse que durante a sessão observou a presença de representantes do Friboi e do grupo Minerva, com sede em Barretos (SP). Na avaliação de Medeiros, era esperada, de fato, uma disputa pela aquisição do Frigoverdi. “Claro que pensávamos em vendê-lo por mais, mas as cifras, de qualquer forma, ficaram acima do lance mínimo”. De acordo com ele, 20% do total, ou R$ 2,4 milhões, foram pagos na hora e o restante tem de ser quitado em 72 horas.

Indagado sobre a legalidade do leilão - que teve o edital questionado na Justiça por contar falhas, segundo advogados de credores -, Medeiros não acredita na nulidade do processo de venda. “Pode acontecer, mas acho muito difícil reverter a venda”.

Sem cobrir dívidas - Para a assessora jurídica da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Elizete Araújo, “agora é que o produtor não vai receber nada mesmo. Os créditos podem, definitivamente, ser considerados perdidos. O valor de venda da planta não é suficiente para cobrir nem as dívidas preferenciais. Pecuaristas são os últimos da fila para receber”, denuncia.

Ela e outras entidades, como a Associação dos Criadores do Estado de Mato Grosso (Acrimat) e da Cooperativa dos Pecuaristas de Mato Grosso (Coopemat), estão orientando os pecuaristas lesados com a falência do Frigoverdi.

“Os credores podem impugnar a venda da planta sob o argumento de que existem falhas no edital de realização do leilão. Essa contestação pode ser feita nos próximos dez dias, o que seria chamado de embargo à arrematação, ou até o momento da transferência do imóvel para o grupo, o se que trataria de um embargo de à adjudicação. De qualquer forma acredito que este será um processo difícil de ser revertido, apesar de todas as falhas contidas no edital”.

Já os presidentes da Acrimat e da Coopemat, Jorge Pires de Miranda e Paulo Gasparotto, respectivamente, explicam que pelo fato das entidades não serem credoras elas podem pedir a impugnação do leilão, mas orientam que sejam feitos processos individuais dos pecuaristas credores.

Para esses representantes do segmento, aconteceu o que havia sido anunciado na última sexta-feira, quando a notícia da venda da planta veio à tona: “arrecadaram um valor ínfimo”. “Se eles quiserem iniciar o abate ainda hoje é possível. O Quatro Marcos fez um excelente negócio, comprou uma planta frigorífica por R$ 12,050 milhões”, exclama Gasparotto.

Para o presidente da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACN/MT), João Bernardes, o Quatro Marcos que já tem presença significativa no Estado, principalmente no Vale do Guaporé e no Nortão, vai ampliar a participação regional, principalmente na baixada cuiabana. “Pegaram uma planta pronta. Sem dúvida foi uma excelente oportunidade de negócios ao grupo”, alfineta.

Sem comunicação – O Diário tentou durante toda a tarde de ontem contatos com os advogados da Coopemat e da rede francesa de supermercados Carrefour, o maior credor pecuário do Frigoverdi.

Na última sexta-feira, na tentativa de impedir a venda da planta, o advogado Marcelo Zandonaide, impetrou um mandato de segurança para anular a realização do leilão. A petição representava interesses do a Carrefour. A propriedade do grupo no Estado, a fazenda São Marcelo, é o maior credor entre os pecuaristas, com valores estimados em mais de R$ 2 milhões.

Quatro Marcos - Em volume de abate, o grupo figura entre os seis maiores do mercado. Em Mato Grosso são abatidos cerca de seis mil animais/dia, em abatedouros localizados em São José dos Quatro Marcos (planta, abate e indústria), Colíder (abate/curtume), Alta Floresta (Centro de tecnologia e abate), Vila Rica (abate/curtume), Juara (abate). A unidade de Jandira (SP) concentra as exportações do grupo para os principais centros consumidores internacionais.

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