Plantas de cobertura podem ajudar a reduzir nematoide das galhas na entressafra do feijão
Manejo entre dois cultivos deve priorizar espécies não hospedeiras
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Manejo entre dois cultivos deve priorizar espécies não hospedeiras ou pouco favoráveis ao Meloidogyne, controle de plantas daninhas e integração de diferentes práticas.
O período entre dois cultivos de feijão pode ser usado para reduzir a população do nematoide das galhas no solo. O manejo envolve a implantação de plantas de cobertura não hospedeiras ou pouco favoráveis ao Meloidogyne, associada ao controle de plantas daninhas, ao manejo da palhada e à rotação de culturas. A estratégia busca chegar ao plantio seguinte com a menor população possível do patógeno.
Os nematoides das galhas são vermes microscópicos que vivem no solo e parasitam as raízes. Entre as espécies estão Meloidogyne incognita e M. javanica. Ao atacar o sistema radicular, esses organismos provocam a formação de galhas, que são nódulos irregulares resultantes das alterações causadas pelo parasitismo.
O problema interfere na capacidade da planta de aproveitar água e nutrientes. Entre os efeitos apontados estão menor estande e vigor, amarelecimento que pode ser confundido com deficiência nutricional, maior sensibilidade à seca e perdas de produtividade. A intensidade dos danos varia conforme a população de nematoides presente no solo, a suscetibilidade da cultivar de feijão, o tipo de solo e as condições climáticas.
Entressafra interrompe fonte de alimento
Mesmo na ausência do feijão, o nematoide pode sobreviver em raízes de outras plantas hospedeiras, incluindo plantas espontâneas, ou permanecer no solo na forma de ovos e juvenis.
Por isso, uma das bases do manejo cultural é ocupar a área com plantas que não permitam a multiplicação do nematoide ou que sejam pouco favoráveis ao seu desenvolvimento. Sem uma fonte adequada de alimento, parte da população tende a morrer naturalmente ao longo do tempo.
Além da ausência de um hospedeiro adequado, algumas coberturas podem dificultar a conclusão do ciclo do nematoide ou reduzir sua reprodução. Há ainda plantas, principalmente da família Brassicaceae, capazes de produzir compostos com possível efeito sobre ovos e juvenis durante a decomposição da biomassa.
Outro benefício apontado é a melhoria das condições do solo. O aumento da matéria orgânica e o estímulo a microrganismos antagonistas podem contribuir para fortalecer mecanismos naturais de controle biológico.
Gramíneas aparecem entre as opções
Entre as plantas citadas estão milheto, sorgo e braquiárias. O milheto é apresentado como uma opção de boa produção de biomassa, sistema radicular profundo e adaptação a regiões quentes. No caso do sorgo, o conteúdo informa que muitas cultivares apresentam baixa hospedabilidade ao Meloidogyne spp.
As braquiárias, como espécies de Urochloa, também são mencionadas como alternativas estudadas em sistemas de integração lavoura-pecuária, com possibilidade de associar produção de forragem e supressão do nematoide.
A recomendação, porém, não deve ser generalizada. A reação ao nematoide pode variar entre espécies e cultivares. Por isso, a escolha precisa considerar resultados de pesquisa, recomendações técnicas atualizadas e as condições específicas da propriedade.
O conteúdo também alerta para o que deve ser evitado. Leguminosas altamente suscetíveis podem aumentar a população do patógeno. Deixar a área em pousio com plantas daninhas também representa um risco, porque muitas dessas plantas são hospedeiras do nematoide.
Planejamento começa pelo diagnóstico
Antes de definir a cobertura, é indicado realizar, quando possível, análise nematológica de solo e raízes ao final do cultivo de feijão. O diagnóstico pode ajudar a identificar a espécie predominante de Meloidogyne e o nível populacional existente na área.
O histórico da propriedade também deve ser considerado, incluindo culturas utilizadas nos anos anteriores e sinais observados na lavoura, como queda de produtividade ou formação de reboleiras. Outro ponto importante é conhecer a disponibilidade de água para estabelecer uma cobertura compatível com o período.
A sequência ideal apresentada no conteúdo é feijão, cobertura e novo cultivo de feijão. Nesse intervalo, a planta escolhida deve ser não hospedeira ou pouco hospedeira, produzir boa quantidade de palhada e ter um ciclo compatível com a janela disponível.
Onde há maior disponibilidade de água, podem ser usadas coberturas de ciclo mais longo e maior produção de biomassa. Em condições de seca mais intensa, podem ser necessárias espécies tolerantes ao déficit hídrico ou uma semeadura antecipada para aproveitar as últimas chuvas.
Daninhas não podem manter o ciclo do nematoide
A implantação rápida da cobertura depois da colheita é outro ponto destacado. O objetivo é reduzir o tempo em que o solo permanece descoberto e diminuir o espaço disponível para plantas daninhas hospedeiras.
O controle dessas plantas deve ser realizado antes da semeadura e continuar durante o ciclo da cobertura. Caso contrário, as daninhas podem manter uma fonte de alimento para o nematoide mesmo quando a espécie utilizada como cobertura principal não favorece sua reprodução.
A palhada também faz parte do manejo. Uma boa cobertura protege o solo da erosão, reduz a amplitude térmica e pode favorecer microrganismos benéficos. O conteúdo orienta evitar revolvimento intenso sempre que possível e informa que o plantio direto sobre palhada é preferido em muitos sistemas, desde que acompanhado de manejo adequado de pragas e doenças.
Controle deve combinar diferentes estratégias
O uso de plantas de cobertura não é apresentado como uma medida isolada. O manejo inclui ainda rotação com culturas comerciais não hospedeiras ou menos favoráveis, utilização de cultivares de feijão com menor suscetibilidade quando disponíveis, controle químico ou biológico quando recomendado e melhoria das condições de fertilidade e estrutura do solo.
Quando houver uso de nematicidas ou outros defensivos, é preciso o cumprimento de rótulo, bula e legislação vigente, além do receituário agronômico e da utilização dos equipamentos de proteção individual adequados.
Para o produtor, a principal mensagem é que a entressafra não deve ser tratada apenas como um intervalo entre dois plantios. O período pode integrar a estratégia de manejo do nematoide, desde que a área permaneça ocupada por espécies adequadas, as plantas daninhas sejam controladas e as decisões sejam ajustadas às condições de clima, solo, disponibilidade de água e histórico da propriedade.