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Testes de clones de eucalipto avançam em Mato Grosso

Pesquisa busca clones mais adaptados


Foto: Pixabay

O Mato Grosso apresenta potencial para expansão do reflorestamento comercial e redução da pressão sobre florestas nativas, em um cenário de aumento da demanda por biomassa e produtos florestais. A avaliação integra iniciativas conduzidas pela Embrapa Agrossilvipastoril em parceria com a AREFLORESTA, que articulam ações de pesquisa e desenvolvimento no estado.

Historicamente abastecida por espécies nativas da Amazônia, a indústria florestal local passa por transição impulsionada por compromissos ambientais e pela redução do extrativismo. Nesse contexto, o cultivo de eucalipto ganha espaço, impulsionado principalmente pela instalação de usinas de etanol de milho, como FS Bioenergia, INPASA e ALD Bioenergia, que utilizam a madeira como fonte de biomassa.

A projeção indica cerca de 324 mil hectares plantados com eucalipto, concentrados em áreas próximas às unidades industriais. A expectativa de entrada em operação da indústria de celulose EucaEnergy, prevista para o Vale do Araguaia, deve ampliar essa demanda, com necessidade estimada de 200 mil hectares adicionais. Caso os projetos se confirmem, a área plantada pode atingir 500 mil hectares em até dez anos.

Apesar da expansão, produtores enfrentam limitações relacionadas a solos arenosos e restrições hídricas, que comprometem o desempenho de clones comerciais como H13, I144 e VM01. Problemas como desfolhamento, mortalidade e baixa produtividade têm sido relatados à AREFLORESTA, motivando a criação de novas iniciativas de pesquisa.

Para enfrentar esses desafios, a Embrapa propõe a implantação de Testes Clonais Ampliados em diferentes regiões do estado, incluindo municípios como Primavera do Leste, Rondonópolis e Sinop. O projeto prevê a avaliação de 60 clones em condições edafoclimáticas distintas, com o objetivo de identificar materiais genéticos mais adaptados.

A iniciativa busca atender à crescente demanda por biomassa para energia e secagem de grãos, além de contribuir para metas estabelecidas pelo Plano ABC+ MT, que prevê a ampliação das áreas de florestas plantadas até 2030. A proposta também pretende reduzir riscos da atividade florestal e ampliar a produtividade.

Segundo os pesquisadores envolvidos, o foco está no desenvolvimento de materiais com características adequadas ao uso energético. “O objetivo é disponibilizar materiais genéticos com alta produtividade e características adequadas para uso energético”, informa a equipe técnica do projeto.

Além disso, a iniciativa pretende fortalecer a base de conhecimento técnico no estado. “O principal resultado será a indicação de clones mais adaptados, com informações acessíveis à sociedade florestal mato-grossense”, destacam os responsáveis.

O projeto reúne pesquisadores da Embrapa Florestas e associados da AREFLORESTA, que contribuem com áreas experimentais e suporte operacional. A ação integra esforços para consolidar um programa de pesquisa florestal no estado e ampliar a adoção de tecnologias no setor.

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