Por que empresas do agro estão olhando para fora do Brasil
A proposta apresentada é criar um eixo de inovação transfronteiriço
A proposta apresentada é criar um eixo de inovação transfronteiriço - Foto: Canva
A busca por caminhos mais rápidos para levar inovações agrícolas do laboratório ao campo tem ampliado o debate sobre custos, regulação e competitividade na América Latina. Segundo Renato Seraphim, especialista em inovação e tecnologia no agronegócio, o Paraguai pode ocupar papel central em uma estratégia para acelerar tecnologias desenvolvidas no Brasil.
Na avaliação de Seraphim, o agronegócio brasileiro vive um contraste entre o avanço de deep techs, empresas de biológicos e soluções voltadas à agricultura regenerativa e um ambiente marcado por burocracia, custos industriais elevados e processos regulatórios demorados. Esse cenário, segundo a análise, pode dificultar a chegada de novas tecnologias ao mercado antes do esgotamento do capital investido.
A proposta apresentada é criar um eixo de inovação transfronteiriço, combinando a capacidade científica brasileira com produção, incentivos fiscais e maior agilidade regulatória no Paraguai. O modelo reúne Small Nano, ligada ao IFSC-USP, no desenvolvimento de nanotecnologia; Agrarias Solutions, na área regulatória, técnica e de acesso a mercados; Agrofuturo, com estrutura industrial em Villa Hayes e capacidade de 50 milhões de litros por ano; e Agroikemba, na distribuição e comercialização.
A estratégia prevê registrar inovações primeiro no Paraguai para reduzir o tempo até a geração de receita e produzir dados de campo antes da entrada no mercado brasileiro. O país também é apresentado como base para exportações a outros mercados latino-americanos e como apoio para operações nos Estados Unidos e no Canadá. Para Seraphim, a integração entre ciência, indústria, regulação e distribuição pode formar um corredor regional capaz de dar mais velocidade à inovação agrícola.