Por que o açúcar reagiu à crise do petróleo
O movimento simultâneo reforça os mecanismos que conectam os dois mercados
O movimento simultâneo reforça os mecanismos que conectam os dois mercados - Foto: Pixabay
A recente volatilidade nos mercados internacionais de energia e de commodities agrícolas tem reforçado a relação entre diferentes cadeias produtivas. As oscilações nos preços do petróleo e do açúcar voltaram a chamar atenção diante de movimentos simultâneos registrados ao longo de março.
Segundo análise do Rabobank, no dia 9 de março, em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã, o petróleo Brent chegou próximo de USD 120 por barril, enquanto os contratos futuros do açúcar bruto na ICE, com vencimento em maio de 2026, atingiram máxima intradiária de 14,64 centavos de dólar por libra-peso, encerrando o dia a 14,59 centavos, então um dos níveis mais altos do ano. Já em 24 de março, o petróleo recuava para a faixa de USD 100 por barril, enquanto o açúcar avançava para perto de 15,50 centavos por libra-peso.
O movimento simultâneo reforça os mecanismos que conectam os dois mercados, especialmente por meio do setor de combustíveis no Brasil. A dinâmica envolve a decisão das usinas sobre o direcionamento da cana-de-açúcar entre a produção de açúcar e etanol, influenciada diretamente pela competitividade dos combustíveis fósseis.
Com a alta do petróleo, o etanol tende a se tornar mais competitivo em relação à gasolina, elevando a demanda pelo biocombustível. Esse cenário incentiva as usinas brasileiras a destinarem maior volume de cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
A análise aponta que o atual patamar do petróleo, ainda que abaixo do pico observado no início do mês, permanece suficiente para sustentar essa dinâmica. Dessa forma, o cenário de preços elevados do petróleo, impulsionado pelo conflito, contribui para um viés de alta no mercado de açúcar, ao limitar a disponibilidade global do produto.