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Por que o bionematicida pode falhar na safra seguinte

Esse raciocínio mostra que o problema nem sempre está na qualidade do bionematicida


Esse raciocínio mostra que o problema nem sempre está na qualidade do bionematicida Esse raciocínio mostra que o problema nem sempre está na qualidade do bionematicida - Foto: Nadia Borges

O manejo biológico de nematoides exige planejamento ao longo do sistema produtivo, e não apenas intervenções pontuais na cultura principal. As informações são de Fernando Souza, engenheiro agrônomo, com fonte em material elaborado por Ag4study e adaptado de Ariera e Gomes, além de dados de Dias-Arieira.

A dinâmica populacional ajuda a explicar por que um mesmo produto pode apresentar resultados diferentes conforme a infestação inicial. Em uma situação com população inicial baixa, de 1.000 nematoides, um produto com 70% de eficiência controla 700 indivíduos e deixa uma população remanescente de 300 nematoides. Já em um cenário com população inicial alta, de 10.000 nematoides, a mesma eficiência de 70% elimina 7.000 indivíduos, mas ainda permanecem 3.000 nematoides na área.

Esse raciocínio mostra que o problema nem sempre está na qualidade do bionematicida. Quando a população inicial é elevada, a eficiência do produto pode ser diluída, dificultando a redução dos nematoides abaixo do limiar de dano econômico. Assim, a percepção de que o produto “não funcionou” no ciclo seguinte pode estar relacionada à alta pressão populacional acumulada no sistema.

Um ponto central é que muitos produtores realizam o manejo biológico apenas na soja. Após a colheita, culturas de sucessão como milho, pastagens, milheto, girassol e gergelim podem ser conduzidas sem tratamento. Nesse período, o nematoide continua se multiplicando durante a entressafra, fazendo com que a próxima safra seja iniciada com uma população inicial muito mais alta.

Os dados apresentados para Pratylenchus brachyurus em soja após o cultivo de Urochloa ruziziensis reforçam a importância do manejo sequencial com Pochonia chlamydosporia. Quando somente a soja foi tratada, a redução observada foi de 48%. No tratamento envolvendo U. ruziziensis e soja, o controle chegou a 79%.
 

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