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Por que o pão francês pode ficar mais caro?

O elo fraco que pode pesar no bolso de quem compra pão francês


Foto: Pixabay

O pão francês é parte do cotidiano de praticamente todo brasileiro — mas poucos sabem que, para chegar à mesa, ele ainda depende em parte do trigo comprado no exterior. Mesmo sendo uma potência do agronegócio, o Brasil não colhe trigo suficiente para suprir sozinho a demanda de moinhos e indústrias alimentícias do país.

O tamanho desse hábito alimentar ajuda a dimensionar o problema. Conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), cada brasileiro consome, em média, 31 quilos de pão por ano — volume sustentado por uma rede de mais de 80 mil padarias espalhadas por todo o território nacional, que produzem diariamente.

O gargalo, no entanto, está na origem da farinha. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma colheita nacional de trigo de cerca de 7,8 milhões de toneladas em 2025 — alta de 3,7% frente ao ano anterior. Apesar do avanço, o volume não é suficiente, e o país continua recorrendo à importação para fechar as contas do abastecimento interno.

Na avaliação de Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, a saída para diminuir essa dependência não está apenas em expandir a área plantada, mas em produzir com mais eficiência. "O desafio não é apenas plantar mais trigo, mas produzir mais e melhor. O manejo nutricional adequado permite que a planta expresse seu potencial produtivo, reduza perdas e entregue grãos com a qualidade exigida pela indústria", explica.

É justamente na panificação que a farinha de trigo brasileira encontra seu maior destino. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), reproduzidos em estudos técnicos da Embrapa, cerca de 55% de toda a farinha produzida no país vai para a fabricação de pães — o restante é absorvido por massas, biscoitos, uso doméstico e outras finalidades industriais.

Outro entrave é geográfico. A triticultura brasileira ainda está concentrada no Sul do país, com destaque para Paraná e Rio Grande do Sul. Cultivares mais adaptadas e novas técnicas de manejo, contudo, vêm abrindo caminho para que a produção avance sobre o Cerrado e outras regiões. Para que essa expansão dê certo, defende Francisco de Carvalho, é preciso cuidar da planta do início ao fim do ciclo. "Uma planta bem nutrida enfrenta melhor os períodos de estresse climático, apresenta maior estabilidade produtiva e forma grãos de melhor qualidade. Esse ganho de eficiência fortalece o produtor e toda a cadeia do trigo", complementa.

Depender do trigo estrangeiro tem um custo que vai além da logística: expõe o mercado brasileiro a variações cambiais, ao clima dos países exportadores e a oscilações nos preços internacionais. Ainda que a importação seja do grão — e não da farinha já processada —, esses movimentos acabam repercutindo nos custos de moinhos, padarias e indústrias. No fim, o pãozinho de cada manhã carrega uma lição sobre produtividade agrícola: quanto mais eficientes forem as lavouras brasileiras, menor será a necessidade de buscar trigo fora do país — um ganho que se espalha por toda a cadeia que abastece milhões de consumidores todos os dias.

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