Por que o produtor travou de vez os investimentos
O material destaca que o custo de produção subiu
O material destaca que o custo de produção subiu - Foto: Pixabay
A retração nos negócios do campo expõe um ambiente de cautela, aperto financeiro e dificuldade crescente para investir. A avaliação é de Leandro Amaral, advogado especialista em crédito rural e sócio fundador do Amaral e Melo Advogados, a partir de análise enviada à reportagem.
O dado que ganhou repercussão após o encerramento da Tecnoshow Comigo 2026, com queda de quase 50% na comercialização de máquinas agrícolas em relação a 2025, é tratado como um sinal claro de que a situação do produtor se agravou. Na leitura de Amaral, a feira funciona como termômetro do setor e, neste momento, revela um quadro de forte insegurança.
Segundo ele, há perfis diferentes de produtores enfrentando o mesmo impasse. Parte está retraída e prefere esperar uma melhora do cenário. Outra perdeu acesso ao crédito. Há também quem já esteja com a operação comprometida e sem condições de investir. Em comum, está a dificuldade de fechar a conta diante de margens apertadas, crédito mais caro e acúmulo de dívidas de safras anteriores.
O material destaca que o custo de produção subiu, a soja oscilou e várias lavouras frustraram expectativas. Com isso, produtores chegam a 2026 com contratos em aberto, CPRs vencidas, dívidas bancárias e parcelamentos com revendas. Nesse contexto, a troca de máquinas deixa de ser prioridade e a atenção se volta à sobrevivência da operação.
Amaral também cita estudo do Projeto Campo Futuro, da CNA em parceria com o Cepea, que projeta queda de 47,6% na margem bruta do produtor de soja com terra própria na safra 25/26. Em áreas arrendadas, a margem projetada fica negativa. Para ele, a retração observada na feira não é um episódio isolado, mas reflexo de um sistema de crédito que, em momentos de crise, amplia a pressão sobre quem produz.