Inflação de Maio: por que o tomate sobe 20% em um mês e pesa no almoço?
Alimentos frescos têm preço mais volátil.
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O tomate virou um dos símbolos da inflação de maio. Segundo o IBGE, o item subiu 20,62% no IPCA do mês, enquanto a alimentação no domicílio avançou 1,65%. A alta ajuda a explicar por que a inflação dos alimentos é sentida de forma tão direta pelas famílias: ela aparece em produtos comprados com frequência e usados no preparo das refeições do dia a dia.
A variação não ocorre por um único motivo. O preço do tomate muda rapidamente porque se trata de um alimento perecível, dependente do clima, da oferta regional e das condições de transporte. Quando a colheita atrasa, quando a chuva prejudica a qualidade do produto ou quando uma região produtora entrega menos do que o esperado, a oferta disponível diminui. Como o consumo não cai na mesma velocidade, o ajuste tende a aparecer no preço.
Em maio, o grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela inflação do mês. O IPCA geral ficou em 0,58%, mas os alimentos subiram 1,33%. Dentro de casa, a pressão foi maior, com avanço de 1,65%. Além do tomate, também tiveram alta a batata-inglesa, a cebola e as carnes. São produtos diferentes, mas todos mostram como a inflação dos alimentos pode ser influenciada por oferta, logística, custo de produção e ritmo de consumo.
No caso do tomate, a sensibilidade é maior porque o produto tem prazo curto de comercialização. Diferentemente de grãos, que podem ser armazenados por mais tempo, o tomate precisa chegar rapidamente ao atacado, ao varejo e ao consumidor. Se amadurece demais, perde valor. Se chega danificado, também perde qualidade. Por isso, qualquer redução de oferta pode provocar reação rápida nos preços.
O movimento começa no campo, mas passa por várias etapas até chegar à gôndola. Produtores, atacadistas, transportadores, feirantes, supermercados e restaurantes lidam com custos e perdas ao longo da cadeia. Quando o produto encarece no atacado, parte desse aumento tende a ser repassada ao consumidor final. Esse repasse pode aparecer no preço do quilo no supermercado, na feira ou até no prato pronto vendido por bares e restaurantes.
O frete também pesa nessa conta. Mesmo quando há produto disponível, é preciso levá-lo das regiões produtoras até os centros consumidores. Combustível, distância, pedágios, perdas no transporte e disponibilidade de caminhões entram no preço final. Em alimentos perecíveis, a logística tem peso ainda maior, porque atrasos e danos reduzem a quantidade efetivamente vendida.
Esse processo ajuda a entender por que alguns alimentos mudam de preço de uma semana para outra. O mercado de hortifrútis acompanha o volume diário de produtos que chega aos entrepostos e atacados regionais. Quando chega menos tomate, compradores disputam a mercadoria disponível. Quando a oferta aumenta, o preço pode recuar em pouco tempo.
A queda no campo ou no atacado, porém, nem sempre chega imediatamente ao consumidor. Supermercados e restaurantes trabalham com estoques, contratos, custos fixos e margens. Além disso, o varejo pode demorar a repassar reduções, principalmente quando ainda tenta recompor custos anteriores. Já as altas costumam aparecer mais rapidamente, porque o produto precisa ser comprado de novo com frequência.
A alta de 20,62% do tomate em maio mostra como alimentos frescos podem pressionar o orçamento em pouco tempo. Quando a oferta diminui e a demanda permanece relativamente estável, o preço reage. Para o consumidor, o resultado aparece no carrinho, na feira e nas refeições fora de casa.