PR: Abacaxi tem boa rentabilidade, mas produção ainda é modesta
A produtividade foi de proximadamente 41 toneladas/hectare. A qualidade dos frutos garantiu também bons preços - R$ 0,50/kg
Callegari tem um área de 26 hectares (ha) administrada em sistema condomínio com outros quatro sócios - esta é a quarta safra que colhem. A variedade escolhida é o smooth cayenne ou havaí, a de maior área de cultivo no estado devido às características de produção - frutos grandes, bom teor de açúcar, acidez equilibrada, folhas sem espinho e bem adaptada às condições de clima. "A média de peso dos frutos foi acima do 1,7 quilo, exigido pelo padrão de mercado", diz o técnico da Emater Antonio Roberto Gonçalves, que acompanha a produção.
A produtividade, informa Callegari, foi de aproximadamente 41 toneladas/hectare. A qualidade dos frutos garantiu também bons preços - R$ 0,50/kg. Ele não esconde a satisfação do grupo com a atividade que já prepara áreas para ampliar a produção. "Sobram até R$ 6 mil por hectare", revela.
Apesar da boa rentabilidade, a produção estadual é reduzida. Em 2006, segundo dados da Secretaria Estadual de Agricultura - Departamento de Economia Rural (Seab/Deral), o abacaxi ocupou uma área de 313 hectares com a produção de 9.917 toneladas. Essa quantidade fica muito longe de atender a demanda do Paraná que, segundo a cartilha da cultura produzida pela Emater, importa mais de 60 mil t/ano. "Há portanto a necessidade de plantio de uma área de 1.550 hectares para que o estado atinja a auto-sufuciência na produção dessa fruta", cita o material.
A publicação traz informações sobre o sistema de produção para o noroeste do do estado onde se concentra a maior parte das lavouras de abacaxi. Santa Isabel do Ivaí, segundo o Deral, ocupa o posto de segundo maior produtor. Em 2006, foram produzidas 1.764 toneladas. O primeiro lugar é de Santa Mônica, município vizinho, que colheu no ano passado mais de duas mil toneladas.
Além do condomínio administrado por Aparecido Callegari, outros dois grupos dedicam-se a esse cultivo, totalizando 14 produtores. A área plantada em produção, segundo o técnico da Emater, é de 72 hectares com mais 97 ha em implantação. "Temos um produtor se preparando para o cultivo de um sítio de 43 hectares", conta.
Além da boa remuneração da lavoura, o abacaxi, destaca o produtor, tem uma importante contribuição social: gera empregos praticamente durante toda a safra, que do planejamento à colheita dura 24 meses. "Temos sempre de 8 a 10 pessoas cuidando da produção". A rotina de trabalho, segundo Gonçalves, da Emater, já resulta em mão-de-obra especializada no trato com a planta. "Já temos até "gatos" administrando esses trabalhadores", conta.