Preço baixo ameaça equilíbrio do setor arrozeiro
A avaliação é que o desafio não está em vender cada vez mais barato
A avaliação é que o desafio não está em vender cada vez mais barato - Foto: USDA
A queda dos preços do arroz ao consumidor levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da cadeia produtiva. Segundo Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, o valor baixo nas gôndolas pode esconder desequilíbrios entre o preço de venda e os custos acumulados até o varejo.
O arroz beneficiado reúne despesas com a compra do grão em casca, processamento, embalagens, impostos, logística e custos comerciais. Quando o preço final deixa de cobrir essas etapas, o prejuízo precisa ser absorvido por algum elo, o que pode comprometer a qualidade, a padronização dos lotes e os investimentos das empresas.
A preocupação não envolve indústrias que reduzem custos com tecnologia, gestão e produtividade. O alerta recai sobre disputas em que o preço deixa de refletir eficiência e passa a destruir valor, afetando produtores, beneficiadores, distribuidores e varejistas.
Antes de chegar à mesa, o arroz passa por cultivo, irrigação, manejo, colheita, secagem, armazenagem, classificação, embalagem, transporte e distribuição. Todas essas fases exigem recursos e precisam ser remuneradas para manter o abastecimento seguro.
A perda contínua de rentabilidade também reduz espaço para manutenção de equipamentos, inovação e modernização. No limite, pode fragilizar empresas que há décadas abastecem o mercado e diminuir a capacidade de reação do setor.
Esse cenário ocorre diante da concorrência dos alimentos ultraprocessados, das mudanças nos hábitos alimentares e do uso crescente de medicamentos para perda de peso, associado à redução do consumo de carboidratos.
A avaliação é que o desafio não está em vender cada vez mais barato, mas em ampliar a eficiência, agregar valor, recuperar o consumo e construir um mercado sustentável para produtores, indústrias, varejo e consumidores.