Preço da ureia cai pela segunda semana seguida e sinaliza perda de força no mercado global
Enfraquecimento da demanda passou a exercer influência maior do que as restrições
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Após dois meses de forte valorização, cotações recuam em Brasil, EUA, China e Oriente Médio, pressionadas por demanda mais fraca, segundo a StoneX
A ureia acumula duas semanas consecutivas de queda no mercado brasileiro, com contratos fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada — recuo de cerca de 4% frente às referências registradas duas semanas antes. Segundo dados divulgados pela StoneX, o enfraquecimento da demanda passou a exercer influência maior do que as restrições de oferta sobre a dinâmica de preços do fertilizante.
Após dois meses de valorização intensa, o mercado global de ureia enfrenta uma inflexão. De acordo com o relatório semanal de fertilizantes da StoneX, as cotações atingiram patamares cada vez menos sustentáveis do ponto de vista da demanda, o que passou a exercer pressão baixista sobre os preços.
"Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior na dinâmica do mercado, pressionando as cotações para baixo após um período de alta intensa." — Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX
O movimento não é restrito ao Brasil. Conforme levantamento da StoneX, recuos de preço também foram registrados nos Estados Unidos, na China, no Oriente Médio e no Egito, configurando um enfraquecimento global das cotações da ureia.
Gargalos logísticos ainda sustentam patamares elevados
Apesar da tendência de queda, a avaliação da StoneX é de que eventuais recuos adicionais devem ser limitados no curto prazo. Os gargalos logísticos no Oriente Médio — região responsável por parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia — seguem restringindo a oferta internacional e funcionando como um piso para os preços.
Segundo Pernías, o cenário é ainda influenciado pelo período de menor consumo em países-chave, por relações de troca menos atrativas para o produtor e por uma postura mais cautelosa dos compradores, que têm evitado avançar em novas aquisições diante das incertezas do mercado.