Preço do açúcar deve permanecer em alta

Agronegócio

Preço do açúcar deve permanecer em alta

Déficit no mercado internacional tem puxado o preço da commodity; no País, chuvas prejudicam a colheita e o processamento
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O déficit acumulado de produção de açúcar no mundo tem puxado o preço da commodity para o alto nas últimas semanas e a tendência é que o cenário permaneça o mesmo nos próximos meses. Isso porque, problemas com a safra em alguns países produtores, como a Índia, só devem ser resolvidos ano que vem. No Brasil, por sua vez, a produção deve aumentar na região centro-sul e passar dos 27,4 milhões de toneladas produzidos em 2008 para 31 milhões em 2009. O aumento do volume, entretanto, não deve suprir a demanda mundial.

Segundo o superintendente da Associação de Produtores de Bionergia do Estado do Paraná (Alcopar), José Adriano da Silva Dias, no ano passado o déficit de produção do produto no mundo chegou a 7,8 milhões de toneladas e este ano, até julho, o montante acumulado é de 4,9 milhões de toneladas. ''O estoque que existe no mundo tem suprido a demanda, mas está chegando ao fim'', avisa.

A Índia, por exemplo, que se destaca como um dos principais produtores e consumidores do mundo, processa normalmente cerca de 27 milhões de toneladas de açúcar e totalizou apenas 16 milhões em 2008. E, principalmente, em função de condições climáticas - lá ocorreu uma seca muito forte e a produção de cana-de-açúcar está comprometida - o processamento deve ser também reduzido este ano.

No Brasil, segundo Dias, a situação é diferente porque existe a matéria-prima, mas o problema é o excesso de chuva que tem impedido a colheita e, consequentemente, o processamento também tem sido prejudicado. ''As usinas não conseguem moer a cana, então param'', ressalta Heloísa Burnquist, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Econômia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Mas, no geral, a produção da região centro-sul deve ser maior em 2009, acrescenta.

Os reflexos desses problemas de produção são diretamente no preço do produto no mercado internacional: menor oferta maior o preço. Dados do Cepea apontam que no dia 19 de agosto a saca de 50 quilos do açúcar, no estado de São Paulo, foi comercializada por US$ 24,74 e na última quarta-feira, dia 26, o valor era de US$ 26,20 - uma variação de + 16,26% em relação a julho.

Segundo Heloísa, a situação de mercado este ano é atípica porque neste período é o pico da safra e a produção de açúcar tem aumentado de um ano para outro. ''Mas daí vêm problemas com alguns países produtores, como a Índia, e excesso de chuva no Brasil e mexe com o mercado interno e externo'', ressalta. Quanto ao preço praticado nesses mercados, a pesquisadora avalia que o valor deverá continuar alto até que os compradores consigam absorver esse aumento. ''Mas existe um limite para o mercado comprador, que pode se retrair e começar a adiar negócios'', avisa Heloísa, destacando que o comprador sabe que neste período a produção está elevada e pode tentar discutir os valores praticados.


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