Preço do café volta a subir
El Niño forte no segundo semestre também pode afetar as floradas brasileiras
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O mercado de café voltou a registrar forte volatilidade entre julho e agosto de 2026. Chuvas durante a colheita brasileira atrasaram as operações, reduziram a oferta imediata e aumentaram as preocupações com a qualidade, provocando recuperação das cotações apesar da perspectiva de uma safra recorde no país, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
Chuvas mudam dinâmica da colheita
A pressão climática ocorreu após um primeiro semestre marcado por correção dos preços diante das perspectivas de grande produção brasileira. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, as chuvas nas principais regiões produtoras provocaram queda de frutos, atrasaram o recolhimento e dificultaram o beneficiamento, reduzindo a disponibilidade imediata no mercado físico.
A reação nas bolsas foi intensa. Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o contrato de café arábica em Nova York avançou aproximadamente 16% em apenas um dia, em 6 de julho, chegando a USDc 363 por libra-peso no vencimento de setembro de 2026. Em Londres, o robusta registrou alta de 9%, para USD 4.064 por tonelada.
Parte da valorização foi posteriormente devolvida com realizações de lucro e ajustes técnicos. Ainda assim, em 12 de agosto, o primeiro vencimento do arábica terminou a sessão em USDc 340 por libra-peso, enquanto o robusta fechou a USD 3.769 por tonelada, conforme dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
Oferta mundial começa a se recompor
Para 2026/27, o USDA estima produção mundial de 190 milhões de sacas, crescimento de 6,1%. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o consumo é projetado em 180 milhões de sacas, resultando em superávit de 9,9 milhões, quadro que favorece a recomposição gradual dos estoques globais.
O Brasil deve liderar essa expansão. Segundo os dados apresentados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a produção brasileira foi projetada em recordes 71,9 milhões de sacas, 14,1% acima de 2025/26. A estimativa para o arábica é de 47,5 milhões de sacas, crescimento de 25%, enquanto o robusta pode alcançar 24,4 milhões.
A maior colheita também amplia o potencial exportador. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o USDA estima embarques brasileiros de 49,4 milhões de sacas de café verde, quase 30% acima da temporada anterior, em um movimento que pode contribuir para normalizar a disponibilidade mundial.
O clima, porém, impede que o mercado abandone a cautela. A Consultoria Agro do Itaú BBA aponta a ocorrência de floradas antecipadas, favorecidas pela ausência de um período seco, o que pode resultar em maturação desuniforme no próximo ciclo. Um El Niño forte no segundo semestre também pode afetar as floradas brasileiras e alterar as perspectivas para 2027/28, mantendo o componente climático relevante na formação dos preços.